10 anos da morte de estagiária da Rede Amazônica no Acre: dor e saudade permanecem
Uma década se passou desde a trágica morte de Marina de Oliveira Lima, estudante de jornalismo de 23 anos que atuava como estagiária da Rede Amazônica no Acre. O acidente de trânsito que interrompeu sua vida em 4 de abril de 2016 continua ecoando na memória de familiares, amigos e colegas de profissão, deixando marcas profundas de saudade e luto.
O dia que mudou tudo
Naquela segunda-feira, Marina seguia para mais um dia de trabalho na produção do programa Bom Dia Amazônia, quando seu veículo foi atingido por um carro que invadiu a contramão na Avenida Antônio da Rocha Viana, em frente ao Horto Florestal, em Rio Branco. Ela estava a poucos minutos de chegar à emissora.
Segundo laudos do Departamento de Polícia Técnico-Científica do Acre (DPTC), o veículo causador do acidente trafegava a mais de 72 km/h em uma via com limite de 40 km/h. Marina ficou presa às ferragens e não resistiu aos ferimentos, mesmo com as tentativas de resgate.
Uma vida de sonhos interrompida
À época do acidente, Marina estava prestes a concluir o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Acre (Ufac) e se preparava para entregar seu trabalho de conclusão de curso. Há quase dois anos, conciliava estudos com o estágio na TV, onde já era reconhecida como profissional dedicada e promissora.
"Aquele dia foi, com certeza, um dos piores dias de trabalho da minha vida", recorda Dayane Leite, então editora-chefe do telejornal. "Estávamos esperando ela chegar. Ela tinha muita personalidade, era uma grande promessa na nossa profissão."
O repórter Oscar Xavier, que cobria o acidente ao vivo para o programa matinal, também guarda a memória do momento: "Nunca vou me esquecer de chegar ao local e encontrar Marina."
Luto que persiste após uma década
Para Izaura Sampaio, mãe de Marina, os últimos dez anos foram marcados por uma tristeza constante. "Não é mais uma vida feliz como era antes. Em todas as comemorações, aniversário, Natal, ano novo, a Marina se faz presente na saudade. A gente chora, ora, pede a Deus consolação. A vida nunca mais foi a mesma", desabafa.
Izaura descreve a filha como uma jovem independente, determinada e cheia de planos. "Marina sempre foi uma menina muito independente. Corria atrás dos sonhos, falava deles o tempo todo. Quando passou no vestibular, foi atrás de toda a documentação sozinha para conseguir se matricular", conta com orgulho misturado à dor.
A mãe ainda lembra das conversas sobre o futuro: "Ela dizia: 'Pai, não se preocupe, quando vocês estiverem velhos eu vou cuidar de vocês'. Era muito sonhadora. Pensava em se formar, ter um bom emprego, crescer na carreira e dar conforto para todos ao redor."
Justiça e ausência
Após a morte, a família decidiu doar as córneas de Marina, gesto que trouxe algum consolo em meio à tragédia. O motorista envolvido no acidente foi condenado por homicídio culposo a dois anos e quatro meses de detenção, pena convertida em prestação de serviços à comunidade, além da suspensão da Carteira Nacional de Habilitação.
A Justiça também determinou o pagamento de indenização de R$ 5 mil por danos materiais, valor que, segundo a família, nunca foi quitado. "Nada vai trazer ela de volta. O processo terminou, mas a gente não recebeu porque ele alegou não ter condições de pagar", afirma Izaura.
Planos interrompidos
Dias antes do acidente, mãe e filha conversavam sobre a formatura que se aproximava, quando Marina receberia o título de bacharela em jornalismo. "No último domingo que estivemos juntas, ela falava da festa, do vestido que ia precisar alugar. Eu disse: 'não se preocupa, a gente vai dar um jeito'. Ela era assim, cheia de planos", lamenta a mãe.
Mesmo após dez anos, as lembranças fazem parte da rotina de Izaura, que revisita diariamente as fotos da filha no celular. Embora não chore todos os dias, o luto se manifesta em detalhes e situações inesperadas, mantendo viva a memória de uma jovem cuja trajetória foi abruptamente interrompida.



