Demissões em massa no Quênia expõem crise de privacidade nos óculos com IA da Meta
Demissões no Quênia expõem crise de privacidade nos óculos da Meta

Em um desdobramento drástico que revela as engrenagens ocultas da inteligência artificial, mais de mil trabalhadores terceirizados no Quênia foram sumariamente demitidos após exporem um grave escândalo de privacidade envolvendo os óculos inteligentes da Meta. A Sama, uma empresa de terceirização sediada em Nairóbi que prestava serviços para a gigante da tecnologia, notificou 1.108 funcionários de que seriam dispensados com apenas seis dias de antecedência, logo após a Meta encerrar abruptamente seu contrato multimilionário.

Contexto das demissões

Embora a Meta tenha declarado publicamente que o cancelamento da parceria ocorreu porque a Sama “não atendeu aos seus padrões”, organizações de defesa dos direitos trabalhistas acusam a empresa de retaliação. As demissões aconteceram pouco depois de os trabalhadores terem revelado o que eram forçados a assistir para treinar os algoritmos da big tech.

Investigação revela violação de privacidade

O estopim dessa crise global começou quando jornais suecos publicaram uma investigação detalhando a perturbadora realidade por trás do treinamento dos óculos Ray-Ban Meta. Para melhorar o funcionamento da Inteligência Artificial do dispositivo, os trabalhadores quenianos, atuando como “anotadores de dados”, passavam turnos de dez horas revisando, transcrevendo e rotulando vídeos capturados pelos óculos dos usuários. A premissa era ensinar a IA a reconhecer ambientes e objetos, mas o conteúdo real dos vídeos violava profundamente a intimidade dos clientes.

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Segundo os relatos dos trabalhadores, eles visualizavam rotineiramente os momentos mais privados dos usuários. As gravações os expunham a pessoas usando o banheiro, trocando de roupa, dados financeiros visíveis de cartões de crédito e até vídeos de atos sexuais. O mais alarmante é que os donos dos dispositivos pareciam completamente alheios ao fato de estarem sendo gravados e assistidos por estranhos do outro lado do mundo. Em muitos casos, os óculos continuavam a gravar imagens mesmo após serem retirados do rosto e deixados sobre a mesa de cabeceira.

Um dos funcionários resumiu a gravidade do cenário: “Vemos de tudo — de salas de estar a corpos nus”. A crise colocou em xeque as campanhas publicitárias da Meta, que vendiam o produto como “projetado para a privacidade”.

Repercussões legais e regulatórias

A exposição já desencadeou ações judiciais coletivas nos Estados Unidos por propaganda enganosa, bem como investigações por órgãos reguladores de proteção de dados no Reino Unido e no Quênia. Enquanto a Meta tenta conter o escândalo e as autoridades avaliam o envio de dados pessoais de usuários para o exterior, o elo mais fraco da cadeia de inovação foi rompido.

Custo humano da inteligência artificial

Os jovens trabalhadores terceirizados, que suportaram o choque psicológico de revisar materiais sensíveis em um ambiente onde “fazer perguntas resultava em demissão”, agora se encontram sem emprego, escancarando o custo humano e de privacidade por trás da revolução da IA.

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