Bolsa de 'couro de T. rex' feita com colágeno de dinossauro é exposta em museu holandês
Cientistas e designers apresentaram na quinta-feira (2) uma bolsa extraordinária, fabricada com colágeno extraído de fósseis de dinossauros da espécie Tyrannosaurus rex. A revelação ocorreu no museu Art Zoo de Amsterdã, na Holanda, com o objetivo de demonstrar o potencial revolucionário do couro cultivado em laboratório, conforme informado pela Agência Reuters.
Exposição e leilão de uma peça única
A bolsa, que exibe uma tonalidade verde-azulada intrigante, está atualmente em exibição ao lado de uma réplica impressionante de um T. rex no museu holandês. A mostra permanecerá aberta ao público até o dia 11 de maio, oferecendo uma oportunidade rara para os visitantes contemplarem esta fusão entre paleontologia e design moderno.
Após o período de exposição, a bolsa será submetida a um leilão, com um preço inicial estimado em mais de meio milhão de dólares, refletindo seu caráter inédito e o valor simbólico associado à sua origem pré-histórica.
Processo científico e colaboração inovadora
Os pesquisadores envolvidos no projeto explicaram que o material foi desenvolvido através de uma técnica complexa. Fragmentos antigos de proteínas foram extraídos de restos fossilizados de dinossauros e, em seguida, inseridos em células de um animal não identificado para produzir colágeno, que posteriormente foi transformado em couro.
Thomas Mitchell, CEO da The Organoid Company, uma das três empresas por trás da iniciativa, destacou os desafios enfrentados: “Houve muitos desafios técnicos”, afirmou, ressaltando a natureza pioneira do empreendimento.
A colaboração incluiu a empresa de engenharia genômica Organoid e a agência criativa VML, que já haviam unido forças anteriormente para criar uma almôndega gigante em 2023, combinando DNA de um mamute-lanoso com células de ovelha.
Impacto e ceticismo na comunidade científica
Che Connon, CEO da Lab-Grown Leather Ltd., que participou da produção do couro a partir do colágeno modificado, enfatizou que a origem no T. rex conferiu ao produto um “impacto” adicional. “Não se trata apenas de uma alternativa ecológica ao couro, é uma atualização tecnológica”, declarou, defendendo a inovação representada pelo couro cultivado em laboratório.
No entanto, alguns cientistas externos ao projeto expressaram ceticismo em relação ao termo “couro de T. rex”. A paleontóloga holandesa Melanie During, da Vrije Universiteit Amsterdam, argumentou que o colágeno encontrado em ossos de dinossauros persiste apenas como vestígios fragmentados, insuficientes para recriar pele ou couro autêntico de T. rex.
De forma semelhante, Thomas R. Holtz Jr., paleontólogo da Universidade de Maryland, observou que qualquer colágeno identificado em fósseis de T. rex provém do interior dos ossos, não da pele, e que mesmo proteínas perfeitamente correspondentes carecem da organização de fibras em larga escala que confere ao couro animal suas propriedades características.
Em resposta às críticas, Mitchell afirmou: “Eu diria que, quando se faz algo novo pela primeira vez, sempre há críticas. E acho que somos realmente gratos por essas críticas. Elas são a base da exploração científica... Acho que isso é o mais próximo que alguém já chegou — e provavelmente chegará — de criar algo que seja de T. rex.”
Esta iniciativa marca um passo ousado na interseção entre ciência, tecnologia e arte, levantando questões fascinantes sobre as possibilidades futuras dos materiais cultivados em laboratório e seu papel na sustentabilidade e na inovação.



