Surto em pizzaria na Paraíba deixa uma mulher morta e mais de 100 intoxicados
Um laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) revelou alta concentração de bactérias em alimentos de uma pizzaria investigada por um surto de infecção alimentar em Pombal, no Sertão paraibano. Entre os microrganismos encontrados estão Staphylococcus aureus e Escherichia coli, conforme divulgado neste sábado (28) pelo secretário de Saúde do estado, Ari Reis.
Detalhes do caso e investigação
O surto ocorreu entre a noite do domingo (15) e a segunda-feira (16) de março, resultando na morte da servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos, e no atendimento de mais de 100 pessoas com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais. Ao todo, sete amostras foram analisadas, incluindo materiais biológicos de pacientes e alimentos recolhidos no estabelecimento, como pizzas, molhos e carnes.
Nas amostras biológicas, não foram detectadas bactérias patogênicas, mas nos alimentos foi identificada a presença dos microrganismos em alta concentração. Nenhuma das amostras apresentou contaminação por Salmonella. A principal suspeita é de que a contaminação tenha ocorrido devido a falhas na manipulação dos alimentos, o que pode facilitar a proliferação bacteriana.
Bactérias envolvidas e riscos à saúde
Staphylococcus aureus é comum em alimentos manipulados diretamente por pessoas, pois a bactéria pode estar na pele, mãos e vias respiratórias. Costuma ser encontrada em:
- Carnes e frango já preparados
- Pizzas e salgados
- Molhos e recheios (como maionese e cremes)
- Leite e derivados
- Alimentos que ficam fora da refrigeração por muito tempo
Escherichia coli está associada à contaminação fecal e aparece em alimentos ou água contaminados. Pode ser encontrada em:
- Carnes cruas ou mal cozidas, especialmente carne moída
- Leite não pasteurizado
- Verduras e legumes crus mal higienizados
- Água contaminada
- Alimentos que tiveram contato com superfícies ou utensílios contaminados
A ingestão dessas bactérias em alimentos contaminados pode causar sintomas agudos, como náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e, em casos mais graves, desidratação e complicações clínicas.
Declarações das autoridades e próximos passos
O secretário Ari Reis afirmou que, embora os microrganismos tenham potencial para provocar sintomas compatíveis com os relatados, ainda não é possível relacionar diretamente sua presença à causa da morte de Rayssa Maritein. "A única afirmação que podemos fazer nesse momento é que há evidências científicas de que há uma má manipulação dos alimentos na pizzaria. Não podemos atribuir a essa concentração elevada de bactérias como causa do óbito", explicou.
Ele destacou que o Lacen-PB não realiza exames para detectar toxinas bacterianas no sangue, portanto, a amostra será enviada para análise em um laboratório fora do estado, com prazo de até 15 dias úteis para conclusão. A Polícia Civil da Paraíba confirmou ter recebido o resultado do laudo, mas aguarda a conclusão de outros exames antes de se pronunciar.
Contexto do surto e reações
Rayssa Maritein era engenheira agrônoma e servidora pública, descrita por familiares como alegre e acolhedora. Ela foi à pizzaria com o namorado no domingo (15), onde comeu uma pizza de carne de sol. Após retornarem para casa, ambos passaram mal e foram atendidos no Hospital Regional de Pombal, sendo liberados. Na manhã da segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito na terça-feira (17).
Em nota, o hospital afirmou que a paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo encaminhada à UTI em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave. A advogada do dono da pizzaria, Marcos Antônio, informou em vídeo nas redes sociais que ele lamenta a morte e todo o transtorno causado, mas não teve acesso a detalhes aprofundados do laudo.
O Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) informou que exames toxicológicos estão em andamento para esclarecer a causa da morte. A análise inicial do corpo não encontrou alterações características de intoxicação alimentar nos órgãos da vítima.



