INCA prevê 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2028; prevenção é crucial
INCA: Brasil pode ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

Brasil pode registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, aponta INCA

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou nesta terça-feira, 4 de fevereiro de 2026, uma projeção alarmante para a saúde brasileira. Segundo os dados, se o ritmo atual se mantiver, o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Ao excluir os tumores de pele não melanoma, esse total cai para 518 mil casos anuais, mas ainda coloca o câncer como uma das principais causas de morbidade e mortalidade no Brasil, cada vez mais próximo das doenças cardiovasculares.

Principais tipos de câncer e incidência por gênero

Entre os tipos mais incidentes previstos para 2026, sem considerar o câncer de pele não melanoma, destacam-se:

  • Câncer de mama: 78.610 casos por ano (15,2% do total)
  • Câncer de próstata: 77.920 casos (15,0%)
  • Câncer colorretal (cólon e reto): 53.810 casos (10,4%)
  • Câncer de traqueia, brônquio e pulmão: 35.380 casos (6,8%)
  • Câncer de estômago: 22.530 casos (4,3%)

O recorte por gênero mostra padrões distintos. Entre as mulheres, lideram os cânceres de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). Já entre os homens, os mais frequentes são próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%).

Fatores de risco e alertas dos especialistas

Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas, analisa que o crescimento reflete o envelhecimento da população, mas também a exposição contínua a fatores evitáveis. “Estamos vendo a materialização de tendências anunciadas há anos. Sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada e outros hábitos contribuem significativamente”, afirma.

Ariel Kann, head do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta para a mudança recente no comportamento em relação ao tabagismo. “O índice de fumantes vinha caindo no Brasil, mas voltou a crescer nos últimos anos, muito puxado pelos cigarros eletrônicos”, diz. Kann ressalta que os vapes, apesar de uma imagem de menor risco, causam danos semelhantes aos do cigarro tradicional, aumentando a incidência de câncer de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e pâncreas.

Aumento de casos em jovens e estratégias de prevenção

Outro alerta do levantamento é o aumento da incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos, fenômeno já observado em outros países e que começa a se consolidar também no Brasil. “O câncer está se tornando mais jovem. Tumores antes típicos da terceira idade aparecem cada vez mais em pacientes na casa dos 30 e 40 anos, especialmente o colorretal”, afirma Ferreira. Alimentação ultraprocessada, obesidade precoce, sedentarismo e exposições ambientais ajudam a explicar essa mudança.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 40% dos casos globais de câncer estão associados a fatores de risco que poderiam ser evitados ou controlados. No Brasil, o cenário segue a mesma lógica. O INCA destaca que uma parcela significativa dos cânceres diagnosticados no país poderia ser prevenida com estratégias já conhecidas, como:

  1. Vacinação contra HPV
  2. Controle do tabagismo
  3. Alimentação saudável
  4. Prática regular de atividade física
  5. Programas organizados de rastreamento

As infecções continuam tendo peso importante, especialmente nas regiões mais vulneráveis. Mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero estão associados ao HPV. “O Brasil tem um dos melhores programas públicos de imunização do mundo. O desafio hoje é garantir adesão, logística e enfrentar a desinformação”, lembra Ferreira.

O câncer colorretal chama atenção por aparecer entre os mais incidentes tanto em homens quanto em mulheres. O dado reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce, estratégias que ainda chegam de forma desigual no país.