Piracicaba tem sete bicas com água contaminada e imprópria para consumo humano
Água de sete bicas em Piracicaba está contaminada, alerta Semae

Água de todas as bicas públicas de Piracicaba está imprópria para consumo

Testes realizados pelo Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de Piracicaba, no interior de São Paulo, comprovaram que a água das sete bicas públicas da cidade está imprópria para consumo humano ou animal. A análise revelou contaminação por coliformes fecais e outros agentes patogênicos, representando um grave risco à saúde da população.

Riscos à saúde são múltiplos e preocupantes

De acordo com o médico infectologista Tufi Chalita, quem consumir essa água está se expondo a diversos perigos. "Os riscos são múltiplos, não só a questão da higiene. Normalmente a pessoa está buscando aquela água, achando que é uma água mineral, mas infelizmente ela está contaminada e proibida para uso humano", alertou o especialista.

Entre os problemas de saúde que podem ser causados pela ingestão da água contaminada estão:

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  • Infecções por parasitas intestinais
  • Micoses cutâneas
  • Diarreias agudas e crônicas
  • Comorbidades virais e bacterianas
  • Contaminação por Escherichia coli (E. coli)

Falta de cloro facilita proliferação bacteriana

O biólogo Ivan Canale, do Semae, explica que a água das bicas não recebe qualquer tipo de tratamento. "Além da contaminação, elas não têm cloro. O cloro é a principal proteção da água para a saúde das pessoas. A água da bica não tem cloro, por isso que as bactérias proliferam", detalhou o profissional.

Apesar dos resultados alarmantes, as bicas não serão fechadas devido a questões ambientais, segundo o órgão municipal. A decisão mantém os pontos de água abertos, mas com a proibição formal de consumo.

Moradores ignoram alertas e continuam consumindo

Mesmo com as advertências oficiais, muitos moradores seguem utilizando a água das bicas para beber e cozinhar. Tatiane Leal, de 57 anos, bebe a água da bica do bairro Santa Olímpia desde que nasceu e afirma nunca ter tido problemas de saúde.

"A minha mãe só toma essa água. Inclusive, quando a gente vai à praia, ela leva o galão dessa água, porque ela não toma água de torneira", relatou Tatiane.

O aposentado João Barreto, que mora em frente à bica do bairro Nhô Quim, na Vila Rezende, também confirma o hábito arraigado na comunidade. "Vem bastante gente pegar água aí. Faz 45 anos que eu moro aqui, e toda vida eu peguei água na bica", contou.

Metodologia de análise é rigorosa e mensal

O Semae realiza monitoramento constante da qualidade da água através de um processo sistemático:

  1. Coleta mensal de amostras nas sete bicas da cidade
  2. Uso de recipientes de aproximadamente 100 ml para cada amostra
  3. Transporte imediato para o laboratório do Semae
  4. Aquecimento das amostras em equipamento especializado
  5. Análise de coloração para detecção de coliformes
  6. Teste com luz ultravioleta para identificação de E. coli

Quando a amostra se torna incolor, indica ausência de coliformes totais e E. coli. Já a coloração amarelada sinaliza presença de coliformes totais, enquanto a fluorescência azul sob luz UV confirma a contaminação por E. coli.

Histórico de contaminação já era conhecido

Em outubro, o Semae já havia confirmado que cinco bicas públicas estavam contaminadas por coliformes fecais. No entanto, as análises mais recentes expandiram esse número para todas as sete fontes da cidade, demonstrando que o problema é mais abrangente do que se imaginava inicialmente.

A situação em Piracicaba reflete um desafio de saúde pública que combina fatores ambientais, hábitos culturais arraigados e a necessidade de educação sanitária continuada para proteger a população de riscos evitáveis.

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