Moradores do RS enfrentam água com cor, gosto e cheiro devido a algas no Rio dos Sinos
Água com cor, gosto e cheiro afeta moradores do RS

Moradores do Rio Grande do Sul enfrentam água com alterações sensoriais

Nos últimos dias, moradores da Região Metropolitana de Porto Alegre têm se deparado com uma situação preocupante: a água que sai das torneiras apresenta mudanças significativas na cor, no gosto e no cheiro. As reclamações sobre a qualidade do abastecimento têm se multiplicado, levando parte da população a recorrer à compra de água mineral como alternativa imediata.

Nível do Rio dos Sinos abaixo do normal

Em São Leopoldo, o nível do Rio dos Sinos está consideravelmente abaixo do esperado para esta época do ano. Segundo o Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae), o nível normal do rio neste período seria de 1,18 metro. No entanto, na última medição, realizada na quinta-feira (16), o rio registrou apenas 66 centímetros. Este valor é quase 30 centímetros menor do que o observado na segunda-feira (13), quando o nível estava em 94 centímetros.

Floração de algas como causa principal

Em nota oficial, o Semae explicou que o baixo nível do rio tem provocado a floração de algas, especificamente cianobactérias, o que resulta em alterações de gosto e odor na água. Para combater este fenômeno, a empresa está utilizando carvão ativado no processo de tratamento, visando remover esses compostos indesejados.

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Problema se estende a outras cidades

A situação não se limita a São Leopoldo. Várias outras cidades abastecidas pela Corsan Aegea também estão enfrentando o mesmo problema. Entre elas, destacam-se Taquara, Campo Bom, Sapiranga, Portão, Esteio, Estância Velha e Rolante. A Corsan confirmou que a alteração na água está diretamente relacionada à proliferação de algas no manancial de captação.

"Esse fenômeno se intensifica com o período de pouca chuva e a maior concentração de matéria orgânica e outros resíduos que descem com a correnteza do rio", explicou a companhia. Para mitigar os efeitos, a Corsan também tem empregado carvão ativado e permanganato em seus sistemas de tratamento, com o objetivo de eliminar o odor e o gosto desagradáveis.

Garantia de potabilidade

Ambas as empresas enfatizaram que, apesar das alterações sensoriais, a água distribuída à população continua potável e segura para o consumo. "A água distribuída nunca deixou de atender os critérios de potabilidade, embora tenha apresentado características sensoriais de gosto e odor em um primeiro momento", afirmou a Corsan. A companhia ainda ressaltou que "não representa risco algum" à saúde pública.

Medidas adicionais de monitoramento

Após identificar o problema, a Corsan intensificou a coleta de amostras em diferentes pontos da rede de distribuição. Em Rolante, onde as alterações na água são registradas desde março, a empresa descobriu um fator agravante: um descarte irregular praticado por um sistema extensivo de piscicultura.

"A prática de despejo das águas repletas de matéria orgânica de dejetos de peixes e restos de ração foi confirmada e comunicada à Vigilância Sanitária do Município de Rolante, à FEPAM e à Agesan, a agência reguladora", informou a Corsan. Este descarte irregular contribui para o aumento da matéria orgânica no rio, exacerbando a floração de algas.

Impacto na população

A situação tem causado desconforto e preocupação entre os moradores da região. Muitos têm relatado a necessidade de adaptar seus hábitos diários, como evitar o consumo direto da água da torneira e optar por água engarrafada. As empresas de saneamento seguem monitorando de perto os níveis do rio e a qualidade da água, enquanto buscam soluções para normalizar o abastecimento.

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