Pacientes denunciam condições precárias em hemodiálise na Santa Casa de Araras
Pacientes e acompanhantes que utilizam o serviço de hemodiálise da Santa Casa de Araras, no interior de São Paulo, estão denunciando uma série de problemas estruturais e de atendimento que comprometem a qualidade do tratamento. As queixas, que incluem calor excessivo, presença de insetos e poltronas danificadas, se arrastam há pelo menos um ano, segundo relatos.
Calor insuportável durante tratamento
O calor dentro da sala de hemodiálise é uma das principais reclamações. Pacientes afirmam que o ar-condicionado não funciona adequadamente, causando desconforto durante as sessões que podem durar horas. A cerimonialista Claudette Amorim, que faz hemodiálise há nove anos após perder a função dos rins durante tratamento contra o câncer, chegou a comprar leques para amenizar a situação.
"Estava muito, muito quente. Eu vi a pessoa pedindo para as enfermeiras um pedaço de papelão. Aí eu acabei comprando de Natal, dei um leque para cada um, porque o calor é horrível. A pressão cai. Tenho visto a carência dos pacientes e das enfermeiras, porque não tem sido fácil para elas também", relatou Claudette.
A comerciante Silvana de Fátima Zanardi, cujo marido faz hemodiálise no local, também descreve dificuldades para permanecer no ambiente. "Ele fica 3 horas ali, às vezes, a gente entra na sala passa mal porque o calor é demais. E eu já tenho problema de diabetes. Então às vezes cai e eu passo mal lá dentro", contou.
Insetos e mobiliário em más condições
Além do calor, os pacientes apontam a presença de baratas e mosquitos dentro da unidade como outro problema grave. "Eu vi mexendo e matando a barata no meio da sala. E são muitas. Às vezes vêm de duas, três. Pernilongo lá dentro, a gente tem medo porque às vezes pode picar e dar dengue", disse Silvana.
As condições das poltronas também preocupam quem precisa permanecer sentado por horas durante o tratamento. "Às vezes, a gente tem que colocar um cobertor embaixo porque eles têm um buraco nas costas. Às vezes tem poltrona amarrada com um pedaço de faixas", relatou Claudette.
O estudante Leandro José Lacerda, cuja mãe é paciente da unidade, reforça as queixas. "A minha mãe até então ela sempre relata para mim: 'Aparece barata embaixo das cadeiras, tem poltronas que estão rasgadas, tem poltrona que não trava'. O paciente está fazendo hemodiálise, a agulha não pode estar saindo do braço, às vezes a cadeira vai para um lado e para o outro. A gente vê que eles falam que está um descaso", afirmou.
Única opção pelo SUS na cidade
A Santa Casa de Araras é o único local que oferece hemodiálise pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município, o que limita drasticamente as alternativas para os pacientes. "Às vezes tenho até pavor de vir porque é realmente horrível esta situação deles. Eu como acompanhante, imagina eles lá dentro", disse Silvana, emocionada.
Resposta da instituição
Procurada, a Santa Casa de Araras emitiu nota informando que:
- O desgaste das poltronas é considerado normal e elas serão substituídas, mas não foi informado prazo para a troca.
- Realiza dedetizações a cada 15 dias, com a última realizada na terça-feira anterior às denúncias.
- O processo para compra de um novo ar-condicionado já foi iniciado e deve ser concluído "nas próximas semanas".
As promessas de melhorias, no entanto, não têm aliviado a angústia dos pacientes que continuam enfrentando condições inadequadas em um serviço de saúde essencial para sua sobrevivência.



