AVC em jovens aumenta 66% no Brasil: caso de Eduardo, 30 anos, alerta para sintomas
AVC em jovens cresce 66% no Brasil: caso alerta para sintomas

AVC em jovens: caso de Eduardo, 30 anos, alerta para mudança no perfil da doença no Brasil

"Não é nada, você é jovem demais para isso." Essa foi a resposta que Eduardo Guerra, de 30 anos, recebeu ao buscar atendimento por uma dor de cabeça diferente das enxaquecas habituais. Pouco tempo depois, o diagnóstico revelou um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico que o levou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cinco dias. Seu caso não é isolado e reflete uma transformação preocupante no perfil da doença no país.

Mudança no perfil: AVC deixa de ser exclusivo de idosos

Historicamente associado ao envelhecimento, o AVC tem se tornado mais frequente entre adultos jovens. Dados alarmantes mostram que o Brasil registra uma morte pela condição a cada seis minutos. Na última década, a incidência do tipo isquêmico — causado pela obstrução de vasos sanguíneos — aumentou impressionantes 66% entre pessoas com menos de 45 anos. Somente nos três primeiros meses de 2024, mais de 20 mil pessoas morreram em decorrência de AVC.

Dor de cabeça foi o primeiro sinal de alerta

Eduardo relata que já tinha dores de cabeça, mas dois dias antes do AVC, sentiu uma enxaqueca intensa com aura, caracterizada por pontos brancos e flashes de luz durante a crise. Como nunca havia experimentado esse sintoma, procurou atendimento médico. Ele foi liberado com medicamentos para dor, mas dois dias depois, teve uma nova crise — desta vez acompanhada por perda temporária de visão, audição e força nos braços. Era um AVC.

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O caso dele foi de um AVC isquêmico, quando há obstrução de uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo sanguíneo. Esse é o tipo mais comum na população e o que mais tem sido registrado em pacientes mais jovens. "Passei cinco dias internado na UTI, fazendo exames. Não tive sequelas graves, mas acho que isso tem a ver com a rapidez com que fui ao hospital", explica Eduardo.

Diagnóstico revelou condições prévias

Durante a internação, exames de imagem detalhados esclareceram o quadro. Os médicos identificaram uma síndrome da vasoconstrição cerebral reversa (SVCR), condição caracterizada por espasmos súbitos nas artérias do cérebro que reduzem o fluxo sanguíneo. Além disso, os exames mostraram que ele já havia sofrido um AVC anteriormente, provavelmente ainda mais jovem, sem perceber.

"Fiz o vídeo para alertar as pessoas sobre os sinais, para que fiquem mais atentas. É muito comum falar de dor de cabeça e se automedicar sem procurar um médico. De repente, uma coisa grave dessas pode acontecer", destaca Eduardo.

Por que o AVC está mais comum entre jovens?

O médico neurocirurgião Orlando Maia explica que o aumento de casos em pessoas mais jovens tem relação direta com mudanças no estilo de vida, combinadas a fatores genéticos. "A gente tem visto um movimento de aumento no uso de hormônios anabolizantes e isso também é um fator de risco", afirma o especialista.

Além disso, ele cita que estresse crônico, alimentação inadequada e privação de sono têm antecipado o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes — principais fatores de risco para o AVC.

Tempo é fundamental em caso de AVC

Quando o episódio acontece, a rapidez no atendimento é decisiva. A cada minuto sem oxigenação adequada, milhares de neurônios são perdidos — e o impacto pode ser permanente. Os sintomas costumam surgir de forma súbita. Entre os principais sinais estão:

  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo
  • Dificuldade para falar ou compreender
  • Dor de cabeça intensa e fora do padrão
  • Alterações na visão ou audição
  • Perda de equilíbrio ou coordenação

O neurocirurgião Orlando Maia explica que a diferença entre uma dor de cabeça comum e a dor que pode preceder o AVC é que ela não é progressiva — começa em uma intensidade e fica mais forte. "A dor de cabeça que precede o AVC é aguda desde o início. No entanto, dores fortes de cabeça precisam sempre ser investigadas", alerta.

Para facilitar a identificação, médicos recomendam o uso do teste SAMU: observar o sorriso (assimetria facial), pedir para levantar os braços e avaliar a fala. Qualquer alteração exige atendimento imediato.

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