Acidentes com escorpião crescem 25% em SP; mortes e falta de soro preocupam
Acidentes com escorpião crescem 25% em SP; mortes preocupam

Aumento alarmante de acidentes com escorpião no estado de São Paulo

O estado de São Paulo enfrenta um crescimento expressivo no número de acidentes com escorpiões. Em 2025, foram registrados 52.995 casos, um aumento de 25% em relação a 2024, que teve 42.340 notificações. Quatro pessoas morreram no ano passado. Neste ano, até o momento, já são mais de 14 mil acidentes e três mortes confirmadas.

Reprodução por partenogênese facilita proliferação

A diretora da Divisão de Doenças de Transmissão por Vetores e Zoonoses, Gisele Dias de Freitas, explica que o aumento está ligado à biologia do animal. O escorpião se reproduz por partenogênese, ou seja, não precisa de macho para gerar descendentes. Uma única fêmea pode dar origem a uma população inteira. "Está aumentando [o número de acidentes] por isso. Eles se adaptaram muito bem ao ambiente urbano", afirma.

Casos graves e falta de soro

Entre os casos recentes, um menino de três anos morreu em Conchal, interior paulista, após ser picado. A família relatou que a unidade de saúde não dispunha de soro antiescorpiônico. Em Osasco, na Grande São Paulo, um garoto de 13 anos foi picado no quintal de casa em janeiro. A demora no atendimento resultou em infecção na perna e sequelas. A mãe, Marinalva de Lourdes, conta que o menino sentiu dor intensa, vômito, febre e taquicardia. O diagnóstico só foi confirmado após exame específico. O jovem precisa de cadeira de rodas e não frequenta a escola. "Consegui com a igreja cadeira de rodas, cadeira de banho. Eu não trabalho para poder ficar com ele", desabafa.

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Rede de atendimento e soro disponível

A Secretaria de Estado da Saúde informa que São Paulo conta com 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs), distribuídos para reduzir o tempo entre a picada e o atendimento. Crianças de até 10 anos precisam de tratamento em até 1h30 após o acidente. Um mapa interativo mostra as unidades de referência estaduais, acessível em: https://nies.saude.sp.gov.br/ses/publico/soro.

Na capital, em 2025, foram 599 acidentes com escorpião e 505 com aranha. A Secretaria Municipal da Saúde mantém sete Unidades de Referência para soro antiescorpiônico. A lista completa está em: https://prefeitura.sp.gov.br/saude/w/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/268217.

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Onde encontrar soro na capital

  • Hospital Vital Brazil/Instituto Butantan – Atendimento de todos os tipos de acidentes por animais peçonhentos. Endereço: Av. Vital Brasil, 1500. Telefones: (11) 2627-9529; orientação 24h: (11) 3723-6969.
  • Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio – Tatuapé – Referência para Centro, Leste, Sudeste e Norte. Endereço: Av. Celso Garcia, 4815. Tel.: (11) 3394-6980.
  • Hospital Geral de Taipas – Referência para a região Norte. Endereço: Av. Elísio Teixeira Leite, 6999 – Jaraguá. Tel.: (11) 3973-0444.
  • Hospital Estadual Geral do Grajaú – Prof. Liber. John Alphonse Di Dio – Referência para a região Sul. Endereço: R. Francisco Octavio Pacca, 180 – Grajaú. Tel.: (11) 3544-9444 ramal 415/218 ou (11) 947118758.
  • Hospital Campo Limpo – PS Hospital Municipal Fernando Mauro Pires da Rocha – Referência para a região Sul. Endereço: Rua Teresa Mouco de Oliveira, 62 – Jardim São Luiz. Tel.: (11) 3394-7556 e 3394-7492.
  • Hospital Municipal Tide Setúbal – Referência para a região Leste. Endereço: Rua Dr. José Guilherme Eiras, 123 – São Miguel Paulista. Tel.: (11) 3394-8770.
  • Hospital Parelheiros – Referência para soros Botrópico, Crotálico, Elapídico, Escorpiônico e Aracnídico. Endereço: Rua Euzébio Coghi, 841 – Jardim Roschel. Tel.: (11) 4673-9660.

Como prevenir acidentes

  • Mantenha quintais, jardins e áreas de serviço limpos, sem entulho ou restos de construção.
  • Evite acumular lixo, folhas secas e madeira; guarde objetos em locais elevados.
  • Vede frestas em paredes e pisos; use telas em ralos e batentes de portas.
  • Ao andar em áreas verdes, use calçados fechados e luvas, principalmente ao manusear materiais empilhados.
  • Guarde calçados em sacos plásticos ou caixas.
  • Sacuda roupas, toalhas e calçados antes de usá-los.

O que fazer em caso de picada

Após a picada, procure imediatamente o hospital de referência mais próximo. Se possível, leve o animal ou uma foto para identificação da espécie. Os sintomas comuns incluem dor intensa, vômitos, suor, agitação e taquicardia. Em casos graves, podem ocorrer convulsões, insuficiência cardíaca e choque.

Tratamento gratuito pelo SUS

O Ministério da Saúde reforça que o tratamento é gratuito pelo SUS, com distribuição regular de soro antiescorpiônico aos estados. Em 2026, já foram enviadas mais de 18 mil frascos-ampolas a todo o país. Em caso de acidente, a orientação é buscar atendimento médico imediato e contatar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox). Mais informações: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animais-peconhentos/hospitais-de-referencia.

O Ministério também atua com monitoramento epidemiológico, atualização de protocolos e capacitação de profissionais. O aumento dos acidentes está associado à adaptação dos escorpiões ao ambiente urbano, expansão das cidades e alto potencial de proliferação.