Hospital Anchieta: Corpo de recém-nascida desaparece por 3 meses após parto em SP
Corpo de bebê some por 3 meses após parto em hospital de SP

Hospital Anchieta em São Paulo enfrenta novo escândalo após desaparecimento de corpo de recém-nascida

Uma situação dramática envolvendo o Hospital Anchieta, localizado na capital paulista, veio à tona após uma mãe relatar que o corpo de sua filha recém-nascida ficou desaparecido por quase três meses após o parto. Este caso se soma a outro escândalo recente na mesma unidade de saúde, onde técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de envolvimento na morte de pacientes.

O relato da mãe: parto prematuro e desaparecimento imediato

Em abril de 2023, Alyne Pereira Gomes, de 32 anos, procurou o Hospital Anchieta com um pequeno sangramento durante sua gravidez de cinco meses. Após permanecer internada, ela entrou em trabalho de parto prematuro quase vinte dias depois, em maio, quando deu à luz sua filha.

Segundo informações do boletim de ocorrência registrado por Alyne, ao qual o UOL teve acesso, a enfermeira teria afirmado que a bebê havia nascido morta. No entanto, tanto a mãe quanto sua acompanhante relataram ter visto a menina respirar após o nascimento.

O corpo da recém-nascida foi retirado imediatamente da sala de parto, enquanto Alyne foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento para tratar uma infecção. Dois dias depois, ao receber alta, a mulher solicitou o corpo da filha, mas foi informada que ele não havia sido localizado no hospital.

Documentos negados e tentativa de esclarecimento

Alyne também pediu a certidão de óbito e o prontuário médico, documentos que teriam sido negados a ela naquele momento. Somente em agosto, quase três meses após o parto, a mãe, seu advogado e a direção do hospital realizaram uma reunião para tentar esclarecer o ocorrido.

Representantes da instituição teriam afirmado que a criança nasceu morta e argumentaram que tentaram contato com a família por telefone durante todo o período – alegação que Alyne nega categoricamente. O hospital atribuiu o desaparecimento do cadáver a uma confusão administrativa.

Durante esse encontro, os documentos médicos foram finalmente entregues, assim como o corpo da menina. No entanto, Alyne desconfiou que não se tratava realmente de sua filha, o que a levou a realizar um exame de DNA.

Confirmação por DNA e consequências emocionais

O resultado do exame genético, obtido após nove meses, confirmou a maternidade. O sepultamento ocorreu quase um ano após o nascimento, e Alyne agora relata desenvolver um quadro de depressão e ansiedade em decorrência da experiência traumática.

Entrei em depressão depois de tudo o que aconteceu comigo, declarou a mãe ao UOL. Vi as reportagens do que aconteceu dentro do hospital e tomei a coragem de alertar todas as mães para não passar o que passei lá dentro.

Prontuário contraditório e processo judicial

O prontuário médico revelou informações contraditórias: a criança teria nascido viva, mas morreu após ser entregue aos cuidados da unidade neonatal. Para Alyne, a morte pode ter ocorrido devido à demora no parto, à imposição de um parto natural e à falta de informações médicas adequadas.

A advogada Carina Nascimento Oliveira, que representa a mãe, relatou à Justiça que não foi passada nenhuma informação acerca das probabilidades e seus devidos riscos, citando inclusive uma fala do médico: deixa vir conforme a natureza manda.

A defesa de Alyne ingressou com um pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil em agosto de 2024, baseando-se em suposta negligência médica e falha na prestação de serviço. O processo está em fase de instrução, com audiência marcada para abril.

Posicionamento do hospital e contexto preocupante

A defesa do Hospital Anchieta informou que não comenta processos judiciais em andamento. O UOL tentou contato direto com a instituição, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta matéria.

Este caso ocorre em um contexto já marcado por problemas graves na mesma unidade hospitalar, incluindo a prisão de técnicos de enfermagem suspeitos de crimes contra pacientes, o que aumenta as preocupações sobre a qualidade e segurança dos serviços prestados.

Como denunciar violência médica

Em casos de violência cometida por profissionais de saúde, seja obstétrica ou de outra natureza, existem diversos canais para formalizar denúncias:

  • Ouvidoria do próprio hospital ou clínica
  • Conselho Regional de Medicina de cada Estado
  • Conselho de Enfermagem da região, quando envolvidos enfermeiros, auxiliares ou técnicos
  • Ministério Público Federal, inclusive por meio de canais online
  • Ministério da Mulher através do Ligue 180, que funciona 24 horas por dia
  • Disque Saúde do Ministério da Saúde, no número 136

Estes órgãos oferecem suporte e investigam possíveis violações de direitos e negligências no atendimento à saúde, garantindo que casos como o de Alyne possam ser devidamente apurados e responsabilizados.