Quatro testes simples para avaliar se seu corpo está preparado para envelhecer com saúde e autonomia
Testes simples mostram se seu corpo está preparado para envelhecer bem

Quão preparado está seu corpo para enfrentar os desafios do envelhecimento com saúde e autonomia? A resposta pode estar em testes simples que funcionam como verdadeiros termômetros de força, equilíbrio e condicionamento físico ao longo dos anos. Indicadores básicos podem revelar, já no presente, o nível de preparo do organismo para manter a independência nas atividades diárias conforme a idade avança.

Quatro testes associados à longevidade e independência

Baseado em artigo do The New York Times, especialistas destacam quatro tipos de avaliações físicas que estão diretamente relacionadas com a capacidade de envelhecer bem. Estas medições podem oferecer insights valiosos sobre a saúde atual e futura, funcionando como alertas precoces para possíveis problemas.

1. Teste de sentar e levantar do chão

Criado pelo médico brasileiro Claudio Gil Araújo, conhecido por desenvolver o sitting-rising test, esta avaliação mede força, equilíbrio e flexibilidade de maneira integrada. A proposta é simples: sentar no chão e voltar à posição em pé usando o mínimo de apoios possível.

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A pontuação começa em 10 pontos (cinco para sentar e cinco para levantar), com subtração de 1 ponto para cada apoio utilizado e 0,5 ponto em caso de desequilíbrio. Em estudo com mais de 4 mil adultos, pontuações baixas (4 ou menos) estiveram associadas a um risco de morte quase quatro vezes maior ao longo de 12 anos, especialmente por quedas.

Importante: se for realizar o teste, o ideal é ter supervisão, de preferência profissional, para evitar acidentes.

2. Velocidade de caminhada habitual

A velocidade com que alguém caminha no ritmo normal do dia a dia é um indicador importante de funcionalidade e vitalidade. Esta medição pode prever declínio futuro, mortalidade, risco de institucionalização e incapacidade.

Para medir, marque quatro metros em uma superfície plana e cronometre o tempo necessário para percorrer a distância no seu ritmo habitual (não o mais rápido possível). O ideal é atingir pelo menos 1,2 metro por segundo — ou pouco mais de três segundos no total.

Refazer o teste a cada poucos meses pode ajudar a identificar mudanças, que funcionam como sinal de alerta. Embora pareça simples, caminhar exige o bom funcionamento dos sistemas cardiovascular, musculoesquelético, vestibular (equilíbrio), sensorial e nervoso. Uma marcha mais lenta pode indicar problemas em algum desses sistemas.

3. Força de preensão (pegada)

A força das mãos também está associada à mortalidade e pode refletir o nível de atividade no dia a dia. "Quando você usa mais as mãos, provavelmente está fazendo mais coisas", explicou Cathy Ciolek, da Associação Americana de Fisioterapia Geriátrica, ao The New York Times.

Carregar compras, abrir portas ou pegar um neto no colo são exemplos que ajudam a fortalecer a pegada, importante para manter a independência em tarefas domésticas, como cozinhar. Profissionais costumam usar um dinamômetro para medir a força.

Em casa, uma alternativa é caminhar por 60 segundos segurando pesos em cada mão (o chamado farmer's carry). A recomendação é começar com cargas leves e aumentar gradualmente. Se sentir dor, pare imediatamente.

Como referência geral:

  • Homem de 45 anos: buscar carregar dois halteres de cerca de 27 kg
  • Aos 65 anos: cerca de 18 kg
  • Aos 85 anos: aproximadamente 11 kg
  • Mulheres: valores sugeridos são cerca de 18 kg, 11 kg e 7 kg em cada mão, respectivamente para as mesmas faixas etárias

4. Equilíbrio em um pé só

Assim como a força, o equilíbrio tende a diminuir com a idade, aumentando significativamente o risco de quedas — uma das principais causas de perda de autonomia entre idosos.

O teste é aquele já conhecido: ficar em pé sobre uma perna (o famoso fazer o 'quatro') e tentar manter a posição por pelo menos 10 segundos em um dos lados. Um estudo de 2022 mostrou que 20% dos adultos entre 51 e 75 anos não conseguiam atingir esse tempo — e esse grupo apresentou um risco 84% maior de morte nos sete anos seguintes, possivelmente por já apresentar pior estado de saúde.

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Atenção: assim como no teste de sentar e levantar, se for realizar esta avaliação, prefira ter supervisão, especialmente de um profissional qualificado.

Estes quatro testes oferecem uma visão abrangente do preparo físico para o envelhecimento, funcionando como ferramentas valiosas para quem busca manter a autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos. A regularidade na avaliação e a busca por orientação profissional são fundamentais para interpretar corretamente os resultados e tomar medidas preventivas adequadas.