Gingo terapia: capoeira adaptada promove bem-estar a idosos em SP
Gingo terapia: capoeira adaptada para idosos em SP

Em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, um grupo de idosos encontrou na gingo terapia uma forma divertida e saudável de sair da rotina. A modalidade, adaptada da capoeira, é voltada para a terceira idade e busca promover o bem-estar físico e mental de maneira leve e descontraída.

Atividade física com respeito aos limites

As aulas acontecem em uma quadra, onde o som do berimbau dita o ritmo. Entre passos, palmas e sorrisos, os participantes mostram que o movimento pode e deve fazer parte da rotina. A metodologia é pensada para respeitar os limites do corpo e evitar lesões, especialmente em alunos com restrições físicas.

De acordo com o educador físico Fernando Caetano, os exercícios são ajustados conforme a necessidade de cada participante. "Essa metodologia muda totalmente, porque tem idosos que têm algumas deficiências, como por exemplo, movimento de impacto. Pode ser um exercício de qualidade de vida, mas a gente pode acabar lesionando um idoso", explicou Fernando.

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Amizades e bem-estar

Criada em 2017, a turma conta atualmente com cerca de 80 alunos, com idades entre 60 e 89 anos. Para muitos, a prática vai além da atividade física e oferece um espaço de convivência. A aposentada Maria das Dores, de 74 anos, foi a primeira aluna do grupo e ressalta que o exercício trouxe mudanças significativas em sua vida. "Eu andava de muleta e agora estou ótima. É muito bom estar no meio do pessoal, a gente faz bastante amizade", relata Maria.

Mais disposição, mobilidade e qualidade de vida estão entre os benefícios relatados pelos participantes, que afirmam que a prática contribui não apenas para a saúde física, mas também para a mental. "A minha saúde melhorou demais. Eu não tenho problema de coração, não tenho problema de nada", afirma a aposentada Ana Luiz Pinheiro.

As aulas acontecem duas vezes por semana, na sede do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), localizada na rua da Fortuna, número 55, no Jardim Esperança.

Nunca é tarde para começar

Com o tempo, a prática ganha um significado mais profundo. A frequência nas aulas, o contato constante com os colegas e a evolução individual fazem com que os alunos criem um vínculo que ultrapassa a quadra. "É uma família. O dia que não tem aula, parece que está faltando alguma coisa na nossa vida", comenta a aposentada Maria das Dores.

Esse sentimento de pertencimento ajuda a explicar a permanência dos alunos, inclusive daqueles que iniciaram a atividade com receio ou limitações físicas. No espaço, cada um respeita o próprio tempo, sem comparações ou cobranças. "A única cobrança aqui que tem é o sorriso no rosto. É igual o meu mestre fala: 'é do um ao cento em um ano'", brinca o educador físico.

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