Justiça do Rio impõe tornozeleira eletrônica a dentista após paciente ter rosto deformado
Tornozeleira eletrônica para dentista após rosto deformado

Justiça do Rio determina tornozeleira eletrônica para dentista após paciente sofrer deformação facial

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a cirurgiã-dentista Cynthia Eckert Brito passe a utilizar tornozeleira eletrônica após indícios de que continuava realizando procedimentos estéticos mesmo proibida judicialmente. A profissional também estava se preparando para ministrar cursos no exterior, conforme investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Processo por lesão corporal grave

Em dezembro do ano passado, o juiz Antônio Alves Cardoso Júnior, da 28ª Vara Criminal do Rio, aceitou a denúncia do MPRJ e tornou Cynthia ré por lesão corporal grave e lesão corporal gravíssima. A decisão judicial suspendeu as atividades profissionais da dentista relacionadas à harmonização facial até o trânsito em julgado do processo.

"Constata-se haver justo receio de que a continuidade do exercício da profissão da acusada propicie a prática de novas lesões à integridade física, à saúde e à vida de terceiros", afirmou o magistrado em sua decisão.

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Descumprimento das ordens judiciais

Apesar da proibição expressa, segundo o Ministério Público, a cirurgiã-dentista continuou divulgando serviços estéticos e se preparava para ministrar cursos de harmonização facial em Portugal. Nas redes sociais, eram anunciados procedimentos como aplicação de botox, lifting com fios e preenchimento facial.

O juiz Luiz Henrique da Silva Carvalho determinou medidas cautelares adicionais:

  • Apreensão do passaporte, que deve ser entregue em até 24 horas
  • Comparecimento mensal em juízo para informar e justificar atividades
  • Manutenção da suspensão do exercício profissional ligado à harmonização facial
  • Proibição de divulgar, por qualquer meio, serviços que está impedida de prestar

Caso descumpra qualquer uma dessas determinações, Cynthia Eckert Brito poderá ser presa preventivamente. Após a decisão judicial, a conta do Instagram da clínica foi retirada do ar.

Paciente sofreu lesões graves e internação

A advogada Eloah Teixeira Carneiro Lins, de 56 anos, submeteu-se a uma platismoplastia (conhecida popularmente como lipo de papada) em novembro de 2024 com o objetivo de rejuvenescer a região do pescoço. Segundo seu relato, já no dia seguinte ao procedimento surgiram sinais preocupantes.

"Apareceu inchaço intenso, escurecimento da pele no rosto e muita dor. Nos dias seguintes, o quadro só piorou, com manchas escuras se espalhando pelo rosto, orelha e peito", descreveu a paciente.

Eloah procurou a profissional responsável, mas não teve o problema solucionado e ainda foi cobrada por um atendimento adicional. Alertada por outra dentista, foi levada a um hospital, onde recebeu diagnóstico de quadro grave com risco de vida.

A advogada precisou ficar internada por 12 dias e, durante a recuperação, passou por outros procedimentos para tentar corrigir os danos causados. Ela também relatou que, ao pedir reembolso, recebeu uma proposta condicionada a um acordo que a impediria de comentar o caso ou tomar medidas judiciais.

Posicionamento da defesa

Procurada pela reportagem, a defesa de Cynthia Eckert Brito afirmou que não foi intimada sobre a decisão judicial mais recente e não iria se manifestar sobre o caso. A própria dentista foi contatada, mas não respondeu aos questionamentos.

O Conselho Regional de Odontologia e o Conselho Federal de Odontologia também foram procurados para comentar o caso, mas ainda não se pronunciaram oficialmente.

O processo continua em andamento na Justiça do Rio de Janeiro, com a profissional respondendo por lesão corporal grave e lesão corporal gravíssima contra sua paciente.

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