Surto de Guillain-Barré na Índia: 160 casos e 5 mortes ligadas a bactéria
Surto de síndrome de Guillain-Barré preocupa na Índia

A cidade de Pune, no oeste da Índia, enfrenta um surto crescente da síndrome de Guillain-Barré em 2025, gerando alerta entre as autoridades de saúde locais e observação internacional. As investigações apontam para um vilão conhecido: a bactéria Campylobacter jejuni, um patógeno comum em doenças transmitidas por alimentos e reconhecido como um dos principais desencadeadores da rara condição neurológica em todo o mundo.

Os números do surto e a ligação com a bactéria

Os dados mais recentes divulgados são alarmantes. Até o momento, Pune registrou 160 casos da síndrome, com cinco óbitos sob suspeita de estarem relacionados à doença. A situação nos hospitais da cidade reflete a gravidade: 48 pacientes permanecem em unidades de terapia intensiva, sendo que 21 dependem de ventiladores mecânicos para respirar. Por outro lado, há um sinal positivo, com 38 pessoas já tendo recebido alta após o tratamento adequado.

A conexão entre a Campylobacter jejuni e a Guillain-Barré não é nova. Ela foi estabelecida pela primeira vez na década de 1990, em áreas rurais da China. Lá, os surtos coincidiam com a temporada de monções, onde crianças brincavam em águas contaminadas por resíduos de aves, um cenário que facilitava a propagação da bactéria.

Um problema de saúde global

A disseminação da síndrome de Guillain-Barré associada a essa bactéria está longe de ser um problema exclusivo da Índia. Em 2023, o Peru declarou uma emergência nacional de saúde após registrar mais de 200 casos suspeitos e quatro mortes em apenas sete meses. Investigações na época revelaram que dois terços dos afetados tinham diagnóstico de infecção por Campylobacter.

O surto peruano chamou a atenção do Brasil e de toda a América do Sul. Dados do Ministério da Saúde do Peru indicaram 182 pacientes com a doença no primeiro semestre de 2023, dos quais quatro não resistiram. A situação foi considerada um "aumento incomum" de casos, justificando a medida de emergência.

No Brasil, a doença ganhou os holofotes em junho de 2024, quando o ator Reynaldo Gianecchini revelou publicamente que havia desenvolvido a síndrome de Guillain-Barré. Em entrevista ao podcast PodDelas, o artista contou que a condição afetou parte de seus movimentos, trazendo a rara enfermidade para o debate público.

Entendendo a síndrome de Guillain-Barré

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune rara e grave, na qual o sistema imunológico do próprio corpo ataca os nervos periféricos. O resultado é uma fraqueza muscular que pode evoluir rapidamente para paralisia. Em sua forma mais severa, constitui uma emergência médica, exigindo hospitalização imediata.

Os primeiros sintomas geralmente são formigamento e fraqueza que começam nos pés e nas pernas, subindo para o tronco, braços e face. No entanto, em alguns pacientes, a fraqueza pode se manifestar primeiro nos braços ou no rosto. Outros sinais de alerta incluem:

  • Dificuldade para subir escadas ou instabilidade ao caminhar.
  • Problemas com movimentos faciais, como falar, mastigar ou engolir.
  • Dificuldade para mover os olhos ou visão dupla.
  • Dores intensas, que podem piorar durante a noite.
  • Alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca.
  • Dificuldade para respirar, o sintoma mais crítico.

A boa notícia é que, com diagnóstico rápido e tratamento adequado, a maioria dos pacientes se recupera totalmente. No entanto, o tempo de recuperação varia muito de pessoa para pessoa, podendo levar desde algumas semanas até alguns anos.

Os surtos na Índia e no Peru reforçam a necessidade de vigilância sanitária constante, principalmente em relação a infecções por bactérias como a Campylobacter, e destacam a importância de sistemas de saúde preparados para identificar e tratar rapidamente essa condição neurológica potencialmente fatal.