TDAH pode aumentar risco de acidentes de trânsito, sugere estudo
TDAH pode aumentar risco de acidentes de trânsito

TDAH e acidentes de trânsito: uma relação subdiagnosticada

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode estar passando despercebido entre vítimas de acidentes de trânsito. É o que sugere um estudo realizado na República Dominicana e apresentado durante uma reunião da Associação Americana de Psiquiatria. A análise avaliou 95 adultos sem diagnóstico prévio de TDAH que estavam internados em um centro hospitalar de Santo Domingo após colisões de trânsito.

Metodologia do estudo

Os participantes responderam à Escala de Autoavaliação de TDAH para Adultos, ferramenta utilizada para identificar sinais compatíveis com o transtorno. Além disso, os pesquisadores analisaram comportamentos de risco ao volante por meio de um questionário que classificava as condutas em categorias como violações intencionais, infrações não intencionais, erros, deslizes e risco geral. Cada comportamento recebia uma pontuação em uma escala de três pontos.

Resultados alarmantes

Segundo o levantamento, sinais compatíveis com TDAH foram identificados em mais de um terço dos adultos hospitalizados após acidentes. Entre os participantes, 34,7% tiveram resultado positivo na escala de triagem para o transtorno. O estudo também aponta que comportamentos considerados de alto risco ao dirigir foram 66,6% mais frequentes entre os pacientes com sinais de TDAH. Na prática, isso inclui atitudes como ultrapassagens perigosas, desrespeito às regras de trânsito e distrações ao volante.

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Histórico de investigações anteriores

A possível relação entre TDAH e direção perigosa já vinha sendo investigada em pesquisas anteriores. Um estudo realizado nos Estados Unidos, publicado em 2023, identificou aumento de 102% no risco de multas de trânsito e de 74% no risco de acidentes entre motoristas com TDAH. Os participantes, porém, eram idosos, o que limita a comparação com a população geral e pode ter influenciado os resultados. Outra pesquisa, realizada em 2022 com simuladores de direção, observou taxas significativamente menores de acidentes entre pessoas com TDAH que iniciaram tratamento medicamentoso até três meses após o diagnóstico.

Perfil dos participantes

No estudo da República Dominicana, os adultos acidentados com resultado positivo para TDAH eram, em sua maioria, mais jovens, com média de idade entre 27,3 e 35,7 anos. Esse grupo também apresentava maior frequência de carteira de habilitação válida.

Limitações do estudo

Apesar dos resultados chamarem atenção, os próprios pesquisadores destacam limitações importantes. A principal delas é que o número de participantes foi pequeno. Além disso, os comportamentos ao volante foram avaliados por autorrelato, o que pode gerar distorções nas respostas. Outro ponto é que os pacientes com sinais de TDAH também eram mais jovens. Isso significa que fatores como menor experiência no trânsito e menos tempo de direção também podem ter influenciado os resultados.

Ao jornal MedPage Today, a médica Amanda Abreu, da Universidade Iberoamericana em Santo Domingo, afirmou que o comportamento no trânsito também varia de acordo com o contexto cultural de cada país. Na República Dominicana, por exemplo, ela explicou que mulheres podem avançar o sinal vermelho em áreas consideradas perigosas durante a noite por questões de segurança. Pelo questionário utilizado no estudo, essa atitude poderia ser interpretada como impulsividade, embora nem sempre seja esse o caso.

“Há preconceito aí”, observou a médica. “É por isso que incentivamos o uso de ferramentas culturalmente sensíveis, para que possamos aplicá-las a diferentes contextos.” Outra limitação destacada por Abreu é que os participantes passaram apenas por uma ferramenta de triagem para TDAH. Nenhum deles foi submetido a uma avaliação clínica formal que confirmasse o diagnóstico do transtorno.

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