Presidente do Einstein alerta: crise climática já afeta serviços de saúde no Brasil
Crise climática já impacta serviços de saúde, alerta Einstein

Crise climática já afeta diretamente os serviços de saúde, alerta presidente do Einstein

Em entrevista exclusiva, Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, destacou que os impactos da crise climática já são uma realidade nos consultórios e hospitais brasileiros. O executivo enfatizou que a saúde deve ser tratada como um pilar central nas políticas de adaptação às mudanças climáticas, e não apenas como uma consequência distante.

Hospitais como grandes emissores e a urgência de ações sustentáveis

Klajner alertou que o setor de saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que o colocaria como o quinto maior emissor mundial se fosse um país. Ele detalhou as iniciativas do Einstein para reduzir esse impacto, incluindo um plano diretor de sustentabilidade lançado em 2011 e metas de reduzir emissões em 50% até 2030, com neutralidade de carbono até 2050.

Desde 2025, o Einstein opera com 100% de energia renovável, neutralizando as emissões associadas ao consumo de eletricidade. No entanto, Klajner reconhece que hospitais com menos recursos enfrentam desafios para seguir esse caminho, exigindo engajamento da liderança e colaboração com o poder público.

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Impactos climáticos já visíveis na saúde da população

O CEO do Einstein citou dados alarmantes sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde. A Organização Mundial da Saúde estima que 489 mil pessoas morreram por exposição ao calor entre 2000 e 2019, enquanto no Brasil, mais de 142 mil mortes foram relacionadas a temperaturas extremas entre 1997 e 2018.

Klajner observou um aumento significativo nos atendimentos hospitalares devido a ondas de calor, poluição do ar e queimadas. Durante episódios intensos de queimadas em 2024, alguns estados registraram alta de até 191% em sintomas associados à exposição à fumaça, com crescimento de até 60% na demanda por serviços de saúde relacionados à má qualidade do ar.

Tecnologia e inteligência artificial: dilemas e soluções sustentáveis

Discutindo o papel da tecnologia, Klajner abordou o impacto energético da inteligência artificial, onde até 70% do custo está na fase de treinamento. Ele mencionou alternativas como modelos mais leves e eficientes, exemplificando com a DeepSeek, que reduz a pegada ambiental.

No Einstein, já foram desenvolvidos modelos multimodais leves para aplicações no SUS, visando reduzir custos e aumentar a sustentabilidade. Klajner defendeu que a indústria da IA precisa se aperfeiçoar, com arquiteturas inteligentes e avanços em "IA criando IA".

Preparação e resiliência dos sistemas de saúde

Para enfrentar eventos climáticos extremos, Klajner elencou demandas urgentes: fortalecer a capacidade de dados e monitoramento, expandir redes de estações climáticas e integrar informações ambientais com bases de saúde. Ele citou o projeto MAIS (Meio Ambiente e Impacto na Saúde) do Einstein, que integra dados de mais de 5.500 municípios para apoiar gestores públicos.

É crucial desenvolver sistemas de saúde resilientes, capazes de antecipar e responder ao estresse climático. O Einstein tem equipes especializadas em resposta a desastres, treinadas para atuar em emergências, como observado no litoral norte de São Paulo e no Sul do Brasil.

Saúde como prioridade nas políticas climáticas globais

Klajner criticou a discrepância entre o impacto das mudanças climáticas na saúde e o espaço que o setor ocupa nas discussões climáticas. Segundo a ONU, menos de 2% do financiamento multilateral para mudança climática vai para projetos de saúde.

Ele reforçou a necessidade de incluir a saúde no debate global, participando de fóruns como o South by Southwest (SXSW) para compartilhar experiências brasileiras e promover colaboração internacional. A saúde deve ser considerada um pilar central nas políticas de adaptação, concluiu Klajner, alertando para a urgência de ações em grande escala.

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