Brasil registra menor índice de trabalho infantil em 2025, mas 80% dos casos são graves
Menor trabalho infantil em 2025, mas 80% dos casos são graves

Brasil atinge menor resultado de trabalho infantil em 2025, mas exploração grave persiste

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, que o ano de 2025 marcou o melhor desempenho histórico no combate ao trabalho infantil no país. De acordo com dados da Auditoria Fiscal do Trabalho, aproximadamente 4 mil crianças e adolescentes foram afastados de condições laborais precárias durante esse período.

Alta proporção de casos graves preocupa autoridades

Entretanto, o relatório revela um dado alarmante: cerca de 80% desses jovens resgatados foram submetidos às piores formas de exploração de trabalho infantil. Essas situações incluem atividades que oferecem riscos severos à saúde, segurança, desenvolvimento e integridade física e psicológica das crianças, evidenciando a gravidade do problema mesmo com os avanços.

Distribuição geográfica dos resgates mostra disparidades regionais

Os estados que registraram os menores números de afastamentos foram o Acre, com apenas 1 ocorrência, seguido pelo Amapá, com 7 casos, e Tocantins, com 22. Em contraste, Minas Gerais liderou o ranking com o maior volume de resgates, totalizando 830 crianças e adolescentes afastados de condições inadequadas.

O estado de São Paulo ocupou a segunda posição, com 629 resgates, enquanto o Mato Grosso do Sul ficou em terceiro lugar, com 235 casos. Essa distribuição desigual destaca a necessidade de estratégias específicas para diferentes regiões do Brasil.

Coordenação nacional reforça compromisso com a erradicação

Segundo Roberto Padilha, coordenador nacional de fiscalização do Trabalho Infantil, os resultados de 2025 reafirmam o compromisso do Estado brasileiro com a erradicação total do trabalho infantil. Ele enfatizou a importância de um planejamento estratégico contínuo para garantir a segurança e os direitos de crianças e adolescentes em todo o território nacional.

Projeto estrutural baseia-se em quatro pilares fundamentais

O projeto de combate ao trabalho infantil se organiza a partir de quatro frentes principais:

  1. Uso de informações e evidências para orientar as ações de fiscalização de maneira mais eficaz.
  2. Enfrentamento contínuo das diversas formas de exploração, com aplicação de metodologias e ferramentas atualizadas.
  3. Qualificação técnica dos auditores-fiscais do Trabalho, visando maior capacitação.
  4. Aperfeiçoamento dos processos de gestão da Inspeção do Trabalho para otimizar recursos.

Grupo Especial Móvel consolida atuação nacional em 2025

Entre os progressos alcançados, destaca-se a consolidação do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Infantil (GMTI). Pela primeira vez em 2025, a equipe passou a operar com um quadro permanente de fiscalização, atuando em todo o país e priorizando regiões e atividades econômicas com maior incidência dessa violação de direitos.

Articulação com políticas públicas amplia impacto social

As ações do GMTI são articuladas com outras políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes. Dessa forma, além de retirar imediatamente menores de situações de trabalho irregular, a atuação também viabiliza o encaminhamento à rede de proteção social. Isso assegura acesso a direitos básicos e a serviços públicos essenciais, promovendo uma abordagem mais holística e sustentável.

Esses avanços, embora significativos, ressaltam a necessidade de esforços contínuos para enfrentar as formas mais graves de exploração e reduzir as desigualdades regionais no combate ao trabalho infantil no Brasil.