Servidores denunciam assédio moral e perseguição em escola estadual do Acre
Servidores da rede estadual de ensino do Acre denunciaram um cenário de assédio moral, perseguição funcional e omissão institucional na Escola Estadual José Rodrigues Leite, localizada em Rio Branco. As queixas foram formalizadas por meio de requerimento encaminhado à Ouvidoria da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE) em novembro do ano passado, mas, segundo os profissionais, a denúncia segue sem resposta até o momento.
Ambiente escolar marcado por conflitos e constrangimentos
De acordo com relatos de professores e outros trabalhadores da unidade, o ambiente escolar é marcado por conflitos internos, constrangimentos e exposição indevida. A denúncia sustenta que a gestão escolar teria deixado de atuar como mediadora pedagógica, contribuindo para o agravamento de tensões dentro da escola.
"Nós não obtivemos, até o momento, nenhum tipo de retorno da SEE com relação a isso. Instauraram um procedimento apuratório, mas não houve nenhum tipo de solução e isso já tem quase seis meses. A gestão coloca os alunos contra os professores e forma toda uma relação de conflitos dentro da própria escola", disse um dos profissionais que preferiu não se identificar.
Perseguição e ocultação de documentos
Outra profissional, que cedeu entrevista sob condição de anonimato, relatou que a situação vem piorando com o passar do tempo, tendo em vista que ela ainda segue sendo perseguida no ambiente escolar. Ela aponta que o cenário de hostilidade iniciou quando a gestão da escola removeu um mediador de sala de aula e os alunos ficaram sem a devida assistência.
"Ao fim do ano letivo de 2025, tentei sair da escola, porém, foi ocultado de mim, enquanto servidora, o documento que é o memorando que vem da SEE, do setor de lotação, onde abre o período para nós manifestarmos interesse em sair da escola. Como esse documento foi ocultado de mim, eu perdi os prazos. Quando fui na secretaria atrás, [o prazo] já tinha passado, e eu tive que permanecer na mesma escola. Desde a primeira semana de aula, eu estou sofrendo perseguição", lamentou.
Utilização de instâncias escolares para constrangimento
Outro aspecto citado é a suposta utilização de instâncias escolares para constranger trabalhadores, incluindo a exposição informal de acusações. Segundo o relato, dentre as situações de hostilidade, um aluno teria ido a uma delegacia registrar boletim de ocorrência contra a profissional - incentivado, supostamente, pela direção escolar.
"Só pelo fato de que eu não gostava das atitudes do menino. É um absurdo [...] cabe ressaltar que no momento que aconteceu os episódios, fomos até à ouvidoria, fizemos uma denúncia, juntamos as provas que temos e até hoje não nos deram uma explicação. Para mim é muito desgastante porque a SEE já era para ter me dado uma resposta", complementou.
Tratamento desigual e falta de suporte psicológico
Os profissionais também questionam um possível tratamento desigual dentro da unidade. Um vídeo acessado pela reportagem mostra estudantes em situação de desordem durante uma aula, com atos de indisciplina e risco ao patrimônio público. A situação contrasta, segundo os relatos, com um memorando da própria escola solicitando com urgência novos itens de mobiliário à SEE, como carteiras e mesas, sob alegação de insuficiência de recursos no ano anterior.
"É mais uma justificativa de que a escola é permissiva com relação a alunos, mas com relação a servidores vai lá e persegue, faz alunos se voltarem contra professores. Aí eles [alunos] fazem o que fizeram nesse vídeo, por exemplo, e 'tá tudo bem' [...] o episódio não é isolado, é uma série de situações que ocorrem na escola que estão tornando o ambiente extremamente hostil para funcionários", complementou um dos denunciantes.
Além das questões administrativas, os servidores afirmam que não receberam suporte psicológico da SEE, mesmo diante de sinais de desgaste emocional relacionados ao ambiente de trabalho.
"Eu me sinto hoje trabalhando em um inferno, sabe?! Hoje, para eu sair de casa, tenho que tomar alguma coisa para me controlar e ficar mais calma. O pior horário para mim é o que eu tenho que sair de casa. Não pelos alunos, mas pela situação de pressão psicológica que venho passando", lamentou.
Posicionamento da Secretaria de Educação
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), informa que tem conhecimento formal das denúncias envolvendo a Escola José Rodrigues Leite. Sobre o caso, esclarece que foi instaurado processo de sindicância administrativa para apuração dos fatos relatados, em conformidade com os trâmites legais da administração pública.
O Departamento de Segurança Escolar da SEE está acompanhando a situação e realizando os encaminhamentos cabíveis, com o objetivo de assegurar um ambiente escolar adequado, seguro e respeitoso para os servidores e para a comunidade escolar. A Secretaria reforça que denúncias dessa natureza são tratadas com seriedade, observando o devido processo legal, o direito ao contraditório e à ampla defesa. As providências seguem em andamento nos órgãos competentes.
Por se tratar de procedimento administrativo em curso, eventuais detalhes permanecem resguardados nos termos da legislação vigente.



