Levantamento do TSE revela sub-representação racial na política brasileira
TSE mostra sub-representação racial na política brasileira

Levantamento exclusivo do TSE revela disparidade racial na política brasileira

Em um país onde a maioria da população se declara parda, a política nacional ainda é dominada por políticos autodeclarados brancos. Um levantamento exclusivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obtido pela revista VEJA demonstra que, apesar do crescimento de candidaturas de pretos e pardos, a sub-representação racial persiste tanto nos cargos eletivos quanto no financiamento eleitoral.

Brasil pardo, política branca: os números da desigualdade

O ano de 2022 marcou um momento histórico quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que 45,3% da população brasileira se declarou como parda, superando os 43,5% que se identificaram como brancos. Contudo, essa realidade demográfica não se reflete na composição dos cargos políticos.

Nas últimas três eleições presidenciais – 2014, 2018 e 2022 – todos os eleitos se autodeclararam brancos. O TSE destaca que essa situação revela uma "ausência de diversidade racial no topo do Executivo, contrastando com a composição majoritariamente negra e parda da população brasileira".

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Financiamento eleitoral privilegia candidaturas brancas

A análise do TSE, realizada a pedido da Comissão de Promoção da Igualdade Racial do tribunal, examinou detalhadamente a destinação e utilização do financiamento eleitoral nas eleições de 2022 e 2024. Os resultados são reveladores:

Em 2022, candidaturas brancas absorveram quase dois terços de todos os 5,2 bilhões de reais destinados ao financiamento eleitoral público. Entre os partidos analisados, o PSDB destinou 80,4% de seus recursos (R$ 246,1 milhões) para candidaturas brancas, seguido pelo PL com 71,6% (R$ 271,2 milhões), PDT com 71,5% (R$ 171,5 milhões), MDB com 69,3% (R$ 269,6 milhões) e PT com 68,1%.

"Esses partidos demonstraram uma clara preferência por candidaturas brancas em sua alocação de recursos", registra oficialmente o TSE em seu relatório.

Distribuição partidária específica

Os dados específicos por partido revelam padrões consistentes de desigualdade:

  • Em 2022, o PT destinou recursos públicos para 501 candidaturas de brancos, 287 de pretos, 247 de pardos, 19 de indígenas e duas de amarelos
  • No mesmo ano, o PL enviou dinheiro de financiamento eleitoral para 762 candidatos brancos, 428 pardos, 81 pretos, nove indígenas e quatro amarelos
  • Em 2024, o PT enviou recursos para 9.505 candidaturas brancas, 7.845 pardas, 4.032 pretas, 283 indígenas e 64 amarelas
  • No mesmo ano, o Partido Liberal destinou dinheiro para 14.559 candidaturas de autodeclarados brancos, 8.158 de pardos, 1.827 de pretos, 114 de amarelos e 58 de indígenas

Crescimento lento, mas desigualdade persistente

Entre 2014 e 2024, as eleições para cargos majoritários foram dominadas por candidatos autodeclarados brancos – 61,3% na última disputa. Apesar disso, pretos e pardos tiveram crescimento exponencial de candidatos, com 13,2% e 32,3%, respectivamente.

Embora ainda distantes do patamar dos autodeclarados brancos, essas candidaturas tiveram aumento de cerca de dez pontos percentuais no intervalo medido pelo TSE. Nas candidaturas proporcionais no mesmo período, a predominância de candidatos brancos caiu de 54,70% para 45,78% entre 2014 e 2024.

Paralelamente, as candidaturas de pardos subiram de 35,27% para 40,88%, enquanto as de pretos aumentaram de 9,21% para 11,25%, ainda refletindo forte sub-representação.

Grupos com sub-representação crítica

O relatório do TSE destaca uma situação particularmente preocupante: "Candidaturas amarelas e indígenas se mantiveram consistentemente abaixo de 1%, indicando uma sub-representação crítica desses grupos no processo eleitoral".

Entre os governadores eleitos entre 2014 e 2022, 74,1% eram brancos nas corridas eleitorais de 2014 e 2018. No último pleito, o patamar caiu para 63%, mas ainda representa cerca de 30 pontos percentuais acima dos governadores eleitos que se autodeclararam pardos.

Os dados completos do TSE foram divulgados oficialmente nesta quarta-feira, 15 de abril, oferecendo um panorama detalhado da desigualdade racial no sistema político brasileiro e do fluxo de recursos partidários que perpetuam essa disparidade.

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