Justiça de MG suspende novamente programa de escolas cívico-militares após decisão do TCE
TJMG suspende programa de escolas cívico-militares em Minas Gerais

Justiça mineira suspende novamente programa de escolas cívico-militares após decisão do TCE

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, nesta quinta-feira (5), a suspensão do programa de escolas cívico-militares no estado. A decisão foi tomada pelo desembargador Pedro Bittencourt Marcondes, que atendeu a um pedido do Tribunal de Contas do Estado (TCE–MG).

Decisão judicial cita risco de tumulto administrativo

Na decisão assinada, o desembargador considerou que manter a sentença de primeira instância, em meio ao início do período letivo, poderia gerar grave tumulto administrativo e insegurança jurídica. O magistrado destacou que "a execução de uma política pública cuja validade orçamentária é questionada pelo órgão técnico competente pode acarretar danos irreversíveis ao patrimônio público".

Contexto do programa em Minas Gerais

O programa de escolas cívico-militares em Minas Gerais tem sido alvo de disputas judiciais e controvérsias:

  • Em 2023, o governo federal encerrou o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim), mas o governador Romeu Zema manteve o projeto no estado
  • Nove escolas aderiram ao modelo, porém dados consolidados sobre desempenho não foram apresentados publicamente
  • Em 2025, o governo começou consultas sobre adesão à política, mas suspendeu o processo
  • Na tradicional Escola Estadual Central de Belo Horizonte, a proposta foi rejeitada por 84% dos votos

Trajetória judicial recente

A suspensão atual representa mais um capítulo na disputa judicial sobre o programa:

  1. Em agosto, o TCE-MG suspendeu provisoriamente a expansão do programa
  2. Em dezembro, o Plenário da Corte manteve a decisão
  3. Em janeiro, a juíza Janete Gomes Moreira suspendeu a decisão do TCE
  4. Agora, o TJMG suspendeu a eficácia da sentença da magistrada

Argumentos do Tribunal de Contas

O TCE-MG argumentou em seu pedido que "se ateve à análise de legalidade, especialmente quanto à ausência de lei formal que institua o modelo cívico-militar no âmbito da rede pública estadual de ensino, bem como à irregularidade orçamentária verificada". Inspeções técnicas do tribunal mostraram que os indicadores educacionais não apresentaram evolução significativa após adoção do modelo.

Posicionamento do governo estadual

O governador Romeu Zema já havia classificado como "absurda" a decisão do TCE de paralisar o programa e afirmou que iria recorrer. A política educacional continua sendo um ponto de divergência entre o Executivo estadual e os órgãos de controle.

A suspensão pelo TJMG mantém a paralisação do programa de escolas cívico-militares em Minas Gerais, enquanto questões legais e orçamentárias não forem resolvidas adequadamente.