Supremo Tribunal Federal adia decisão sobre eleição para governador do Rio de Janeiro
O Supremo Tribunal Federal suspendeu nesta quarta-feira o julgamento que definiria o modelo da eleição para o mandato-tampão do governo do Rio de Janeiro. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo, solicitando que a corte aguarde a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a cassação do ex-governador Cláudio Castro.
Divergência entre ministros sobre modelo eleitoral
O plenário do STF analisa duas ações apresentadas pelo PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes. Uma delas, relatada pelo ministro Luiz Fux, defende a eleição indireta na Assembleia Legislativa. A outra, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, pede eleição direta, argumentando que Cláudio Castro renunciou para escapar da cassação pela Justiça Eleitoral.
"Com essas premissas, a melhor solução, deferente ao prestígio da Justiça Eleitoral, é nós aguardarmos a consumação do julgamento. O acórdão não foi publicado, nós não temos os votos aqui", afirmou o ministro Flávio Dino durante a sessão.
Ministros antecipam votos e revelam posicionamentos
Enquanto Dino pediu vista, outros ministros já anteciparam seus votos:
- André Mendonça acompanhou o relator Luiz Fux pela eleição indireta, argumentando que a renúncia de Castro visava a desincompatibilização para as eleições de 2026
- Cármen Lúcia, presidente do TSE, criticou o STF por "atropelar" a corte eleitoral e também votou pela eleição indireta
- Kassio Nunes Marques seguiu o mesmo entendimento de Fux
- Cristiano Zanin manteve sua defesa pela eleição direta como único voto divergente
Contexto político turbulento no Rio de Janeiro
Durante o julgamento, ministros destacaram o cenário político conturbado do estado. Gilmar Mendes citou informações sobre infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa, enquanto Alexandre de Moraes condenou a influência criminosa na política fluminense.
Flávio Dino apresentou um levantamento preocupante: "Não há nenhum outro estado do Brasil que, infelizmente, tem a situação do Rio. Governador número 1, preso em 2017. Governador número 2, preso em 2018. Governador número 3, preso diversas vezes desde 2016..."
Resultado parcial e próximos passos
A sessão foi encerrada com quatro votos a favor da eleição indireta com voto secreto e apenas um pela eleição direta. Não há data definida para a retomada do julgamento, que depende da publicação do acórdão do TSE.
Enquanto o processo não é concluído, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio permanece como governador interino do estado. A decisão final do STF determinará se os cariocas irão às urnas ou se os deputados estaduais escolherão o próximo governador.



