Após Carnaval, STF pode reavaliar prisão de Bolsonaro em meio a pressões políticas
STF pode reavaliar prisão de Bolsonaro após Carnaval

Após Carnaval, aliados esperam reviravolta no caso Bolsonaro no STF

A possibilidade de Jair Bolsonaro deixar a Papudinha para cumprir pena em prisão domiciliar voltou ao centro das atenções políticas e jurídicas do país. Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, cresce a avaliação de que o tema precisará ser enfrentado de forma colegiada, e não mais apenas por decisões individuais, especialmente após o período do Carnaval.

Desconforto institucional no Supremo

Segundo análises de colunistas como Robson Bonin, do Radar, há no STF um sentimento de que o pedido de prisão domiciliar precisa ser levado ao plenário da Primeira Turma, para encerrar de vez a controvérsia. O receio central é institucional: ministros avaliam que qualquer agravamento do estado de saúde de Bolsonaro atrás das grades recairia politicamente sobre a Corte como um todo, com foco especial no relator Alexandre de Moraes.

Esse clima se intensificou após conversas reservadas de Michelle Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas com integrantes do tribunal no início do ano. O laudo mais recente aponta que o ex-presidente "inspira cuidados", mas tem condições de permanecer preso, o que torna a discussão ainda mais delicada.

O peso do caso Collor na decisão

Um dos pontos de maior desconforto para os ministros é a comparação inevitável com Fernando Collor, que cumpre pena em regime domiciliar em Maceió, apesar de condenado por corrupção. Para membros do Judiciário, manter Bolsonaro em prisão fechada enquanto Collor está em casa alimenta a percepção de dois pesos e duas medidas — algo extremamente sensível num tribunal já pressionado por críticas de seletividade.

Esse precedente judicial cria um dilema ético e político que deve influenciar diretamente os debates no plenário do Supremo, especialmente quando se considera os riscos institucionais envolvidos.

Mudança de estratégia da família Bolsonaro

Nos últimos dias, a família do ex-presidente reduziu significativamente o tom das críticas públicas ao STF e, em especial, a Alexandre de Moraes. A leitura nos bastidores é de que o confronto direto foi substituído por uma tentativa de distensão, na expectativa de que, após o Carnaval, a Corte avance para uma solução menos traumática.

Há também um cálculo político evidente nessa mudança de postura:

  • Fora da cadeia, Bolsonaro teria mais margem para atuar na reorganização do campo bolsonarista
  • Influenciaria diretamente a estratégia eleitoral do filho
  • Recuperaria parte de sua capacidade de articulação política

Opinião pública dividida e ausência de mobilização

Um dos temores iniciais era o de uma convulsão social diante da prisão do ex-presidente, mas isso não se confirmou. Como observado por analistas, não houve mobilização significativa de rua — o que sugere que a força do bolsonarismo está hoje mais estabilizada do que explosiva.

Ainda assim, o país permanece profundamente dividido sobre o tema:

  1. Metade da população defende que Bolsonaro cumpra a pena como qualquer outro preso
  2. A outra metade vê a prisão domiciliar como uma saída razoável diante do histórico de saúde e de precedentes judiciais

Bolsonaro e o bolsonarismo: uma relação simbiótica

Para analistas políticos, não há hierarquia clara entre a imagem pessoal de Bolsonaro e a marca política que ele construiu — ambas caminham juntas. Uma eventual decisão pela prisão domiciliar dificilmente alteraria de forma decisiva o equilíbrio político do país, que hoje é marcado por uma divisão quase simétrica entre apoiadores e críticos do ex-presidente.

O cenário que se desenha para os próximos dias é de intensa articulação nos bastidores do poder, com o STF navegando entre pressões políticas, precedentes judiciais e o delicado equilíbrio institucional brasileiro.