A prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), suspeito de corrupção e envolvimento com o crime organizado, pode impactar indiretamente a sucessão ao governo do Rio de Janeiro. A decisão sobre o formato da eleição suplementar que definirá quem concluirá o mandato do ex-governador Cláudio Castro (PL) está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). O novo escândalo reforça a desconfiança da Corte em relação à possibilidade de colocar o futuro do estado nas mãos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Desconfiança no STF
Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luiz Fux já manifestaram dúvidas sobre a idoneidade dos deputados fluminenses. Desde a chamada “ADPF das Favelas”, o tribunal intensificou o ritmo das investigações da Polícia Federal sobre a infiltração do crime organizado na política do Rio. A prisão do ex-deputado TH Joias, que revelou a influência do Comando Vermelho na Alerj, aprofundou as ressalvas dos magistrados. A cassação e prisão do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), que presidiu a Assembleia até dezembro, representou outro duro golpe na imagem institucional da Casa.
Impacto na presidência da Alerj
A crise de confiança que atinge a Alerj também afeta o novo presidente, Douglas Ruas (PL), que é pré-candidato ao governo. Ruas assumiu o cargo no mês passado ciente do desafio de “limpar a imagem” da Assembleia Legislativa. Em sua primeira entrevista coletiva, afirmou: “As pessoas que não estão aqui no Rio de Janeiro acabam confundindo, entendendo que tem uma relação direta entre tudo o que acontece de ruim e a política”.
Com a prisão de Thiago Rangel, as investigações da Polícia Federal continuam a gerar ondas de choque no cenário político fluminense. A expectativa é que o STF decida nos próximos dias o modelo da eleição suplementar, que poderá ser indireta, com votação dos deputados estaduais, ou direta, com participação popular. A confiança na Alerj será um fator crucial nessa definição.



