Moraes libera ação sobre limites de delação premiada que pode impactar caso Banco Master
Moraes libera ação sobre delação premiada que afeta caso Banco Master

Ministro do Supremo encaminha ação sobre limites de colaborações premiadas para julgamento no plenário

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento uma ação que trata de limites para a assinatura de colaborações premiadas. O pedido de pauta foi feito na segunda-feira (6) e uma eventual decisão no tema poderia impactar diretamente a delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acordo em que o próprio Moraes pode ser um dos citados.

Ação do PT busca fixar parâmetros constitucionais para acordos de delação

O relator solicitou ao presidente da corte, Luiz Edson Fachin, que agende o julgamento em uma sessão no plenário presencial. A ação foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2021, ano do único despacho do ministro no caso. Na ocasião, ele requisitou informações a autoridades sobre o tema, e as movimentações no processo permaneceram apenas das partes desde então.

O partido pede que o Supremo estabeleça parâmetros constitucionais à interpretação da lei que trata dos acordos, de 2013, para impedir violações como a delação forçada e a falta de limites a benefícios. Os advogados citam casos concretos de delações controversas, incluindo:

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  • A do ex-ministro Antonio Palocci
  • A do ex-governador Sérgio Cabral
  • A do doleiro Alberto Youssef

ADPF pode definir regras gerais para colaborações premiadas

A ação é uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Nesse tipo de ação, a corte define balizas aos temas julgados de forma ampla, sem se debruçar sobre casos concretos específicos. As decisões passam a valer como regra geral para todos os processos similares no país.

Sobre o ministro Moraes, pesam alegações de um contrato de R$ 129 milhões que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci, firmou com o Banco Master para representar os interesses da instituição financeira na Justiça. Documentos obtidos pela Folha de S. Paulo apontam ainda para oito viagens feitas por Moraes e Viviane em jatos executivos de empresas de Vorcaro entre maio e outubro de 2025.

Caso Banco Master cria dilema para STF e PGR

Como revelado pela Folha de S. Paulo, o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) preveem enfrentar um dilema significativo caso a delação premiada do empresário prospere e atinja os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que mantinham ligações com o ex-banqueiro.

Autoridades avaliam que essa possibilidade representará um desafio para a atuação tanto do relator da investigação, André Mendonça, como do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ambos mantêm relações cordiais com os ministros citados, o que exigiria um ponto de equilíbrio delicado entre agir com prudência e levar a investigação adiante se houver evidências concretas.

Negociações da delação e crise institucional

Nas etapas iniciais das negociações, advogados de Vorcaro sugeriram que ministros do Supremo não fossem mencionados no acordo. A ideia foi rechaçada porque não se pode conceder ao delator a prerrogativa de selecionar quem entregar e quem poupar.

Para que a delação seja homologada por Mendonça, Vorcaro terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação dos valores obtidos de forma fraudulenta. Os termos do acordo estão sendo negociados em conjunto pela PGR e pela Polícia Federal.

As menções a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no celular de Vorcaro, apreendido pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, estão no centro da crise de imagem atualmente vivida pelo tribunal. O presidente do STF, Edson Fachin, segue em um fogo cruzado sobre como lidar com a intensificação dos desgastes institucionais.

As mensagens envolvendo Toffoli apontam para pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o ministro entre os sócios. A Maridt vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimentos usado na engrenagem de fraudes do Master. O magistrado afirma que a transação foi devidamente declarada e nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro.

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