Benedita da Silva intensifica pré-campanha ao Senado com visita a projeto social evangélico
Em pleno ritmo de pré-campanha para as eleições de 2026, a deputada federal Benedita da Silva (PT) visitou nesta terça-feira, 20 de janeiro, a Comunidade Vida Renovada, um projeto social de acolhimento e reinserção de pessoas em situação de dependência química localizado no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
A agenda foi compartilhada pela parlamentar em suas redes sociais, mostrando sua presença ao lado do pastor Marcos Pereira, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, denominação que conduz a iniciativa. A visita ocorre em um momento estratégico para a petista, que busca consolidar sua candidatura a uma das duas vagas do Senado pelo estado do Rio de Janeiro.
Perfil religioso como estratégia eleitoral
Benedita da Silva, que se converteu ao evangelismo na Assembleia de Deus no final da década de 1960, tem buscado reafirmar seu perfil religioso como forma de atrair o eleitorado evangélico, que representa uma fatia significativa de votos no estado. Esta aproximação é particularmente relevante considerando que, nos últimos pleitos, os políticos eleitos para o Senado no Rio tinham perfil mais à direita ou eram ligados a esse segmento religioso.
Durante a visita, a deputada conversou com as pessoas atendidas pelo projeto social na companhia do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Em suas redes sociais, ela destacou a importância do trabalho realizado: "É muito importante o trabalho de ressocialização e recuperação que a Comunidade Vida Renovada faz aqui em São João de Meriti".
Articulações políticas e apoios em construção
A candidatura de Benedita da Silva ao Senado vem sendo construída através de complexas articulações dentro do PT e com aliados. Apesar de contar com a bênção do presidente Lula (PT) e de uma ala do partido no Rio, a deputada enfrentou inicialmente resistências internas.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), que comanda o PT fluminense, tentava emplacar o sambista Neguinho da Beija-Flor como candidato. Com a não concretização dessa aposta, formou-se uma unanimidade em torno do nome de Benedita, que agora busca reunir forças para a disputa.
Recentemente, em conversa com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), Lula teria pedido apoio para a candidatura de Benedita em uma provável composição na chapa do alcaide, que será candidato a governador. A petista deverá contar ainda com o apoio do PSOL, que decidiu não lançar candidato próprio em sinalização à deputada.
Trajetória política e desafios eleitorais
Filiada ao PT desde a década de 1980, Benedita da Silva é uma figura histórica do partido no Rio de Janeiro. Ela foi a única representante da legenda a chefiar o governo do estado, assumindo o Palácio Guanabara por nove meses em 2002 como vice de Anthony Garotinho, tornando-se assim a primeira mulher a ocupar o cargo de governadora do Rio.
Parlamentar da Câmara Federal desde 2011, Benedita agora busca retornar ao Senado, onde já legislou no final da década de 1990. Seu desafio é romper com o padrão recente de eleições para a Casa no Rio, onde todos os políticos escolhidos nos últimos pleitos tinham perfil mais à direita ou eram ligados ao eleitorado evangélico.
O último a conseguir essa façanha foi o agora deputado federal Lindbergh Farias (PT), que foi senador entre 2011 e 2018. Para as eleições de 2026, cada estado elegerá os dois senadores mais votados, o que torna a disputa particularmente competitiva no cenário político fluminense.
Nos comentários de sua publicação sobre a visita ao projeto social, Benedita recebeu cumprimentos do pastor Marcos Pereira, líder da denominação: "Deus abençoe minha deputada amiga!!", escreveu ele, demonstrando a receptividade da comunidade religiosa à aproximação da parlamentar.