Venezuela liberta opositor próximo de María Corina Machado em meio a anistia geral pós-Maduro
Venezuela solta opositor próximo de Corina Machado antes de anistia

Venezuela liberta opositor próximo de María Corina Machado em meio a anistia geral pós-Maduro

Um importante opositor venezuelano próximo da líder política María Corina Machado foi libertado neste domingo (8), apenas um mês após o governo interino do país anunciar um processo de libertações e às vésperas de uma anistia geral na era pós-Maduro. Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, recuperou sua liberdade após mais de oito meses de detenção considerada injusta por sua família e organizações de direitos humanos.

Contexto político e libertação estratégica

A soltura de Guanipa ocorre em um momento político delicado, apenas dois dias antes de o Parlamento venezuelano votar uma lei de anistia geral proposta pela presidente interina Delcy Rodríguez. Rodríguez assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos no início de janeiro. Esta medida é vista como parte de um esforço para normalizar a situação política no país após anos de tensão.

Ramón Guanipa, filho do opositor libertado, anunciou a notícia através da rede social X, expressando alívio e esperança. "Anuncio que meu pai foi solto há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de uma prisão injusta, e de mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá voltar a se abraçar em breve", escreveu ele.

Outras libertações e números preocupantes

Além de Juan Pablo Guanipa, o advogado e coordenador político da oposição Perkins Rocha também foi solto. Segundo o grupo de direitos humanos Foro Penal, 11 presos políticos foram libertados neste domingo. A organização já havia confirmado anteriormente que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações.

No entanto, a situação ainda é crítica. Ramón Guanipa destacou em sua publicação: "Ainda há centenas de venezuelanos presos injustamente. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos". Entre os que permanecem detidos estão colaboradores próximos de Corina Machado, como Freddy Superlano e o próprio assessor jurídico Perkins Rocha, cuja situação específica ainda gera preocupação.

Trajetória de Juan Pablo Guanipa e acusações

Juan Pablo Guanipa foi preso em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento. Antes de sua captura, o líder opositor passou meses foragido, com sua última aparição pública ocorrendo em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro.

As eleições de 28 de julho de 2024, que levaram à reeleição contestada de Maduro, foram denunciadas pela oposição como fraudulentas. Guanipa enfrentou acusações graves, incluindo:

  • Terrorismo
  • Lavagem de dinheiro
  • Incitação à violência e ao ódio

Após sua libertação, o próprio Guanipa compartilhou um vídeo em sua conta no X, mostrando o que parece ser um alvará de soltura. "Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio", declarou o ex-vice-presidente do Parlamento. "Dez meses escondidos, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos livres. Muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro lugar."

Reações da oposição e críticas ao processo

María Corina Machado não poupou elogios ao comemorar a libertação de Guanipa, descrevendo-o como um herói. "Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!", publicou a opositora.

No entanto, familiares e organizações não governamentais têm denunciado a lentidão das libertações anunciadas pelo governo interino, que atua sob pressão dos Estados Unidos. O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que vive exilado em Madri, exigiu após a soltura de Guanipa "a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas".

González Urrutia, que enfrentou Nicolás Maduro nas eleições de 2024 e alega ter vencido o pleito, fez uma declaração contundente: "Estas solturas não equivalem à liberdade plena. Enquanto os casos seguirem abertos, e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas".

Perkins Rocha e o contexto eleitoral

Perkins Rocha, por sua vez, foi preso em 27 de agosto de 2024. Ele representava o Comando Nacional de Campanha de Corina Machado e Edmundo González perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), desempenhando um papel crucial nas disputas eleitorais que marcaram o período.

A libertação dessas figuras ocorre em um momento de transição política na Venezuela, onde o governo interino busca estabelecer novas bases de convivência democrática. No entanto, as críticas sobre a incompletude do processo e a persistência de centenas de presos políticos indicam que o caminho para a normalização ainda é longo e cheio de desafios.