Vaticano e Pentágono negam bronca após críticas do papa Leão XIV à diplomacia de força
Vaticano e Pentágono negam bronca após críticas do papa

Vaticano e Pentágono rejeitam veementemente notícias de repreensão a enviado papal

O Vaticano negou categoricamente, nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, as informações divulgadas por alguns veículos de comunicação de que um alto cargo do Pentágono teria repreendido seu enviado aos Estados Unidos devido a comentários considerados críticos feitos pelo papa Leão XIV em relação às políticas da administração do ex-presidente Donald Trump.

Primeiro pontífice americano mantém relação complexa com governo dos EUA

Leão XIV, primeiro papa americano da história, tem mantido uma relação particularmente complexa e multifacetada com o governo dos Estados Unidos. Em diversos pronunciamentos públicos, o pontífice se manifestou firmemente contra os ataques ao Irã, rejeitou explicitamente as orações "daqueles que fazem guerra" e orientou lideranças católicas que provocam conflitos globais a "se confessarem".

Em um discurso histórico realizado em janeiro, o papa denunciou de forma contundente o que classificou como "diplomacia baseada na força". Posteriormente, em sua tradicional bênção de Páscoa, exortou "aqueles que têm o poder de desencadear guerras" a "escolherem a paz" como caminho fundamental para a resolução de conflitos internacionais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Encontro no Pentágono em janeiro gera controvérsia

O encontro em questão ocorreu nas instalações do Pentágono no dia 22 de janeiro, antes mesmo do Oriente Médio entrar em um novo ciclo de conflito armado. A reunião envolveu o subsecretário da Defesa para Assuntos Políticos, Elbridge Colby, e o cardeal francês Christophe Pierre, que na época atuava como núncio apostólico em Washington.

Segundo reportagens do veículo de mídia independente Free Press, o funcionário americano teria dito ao representante papal que os Estados Unidos "têm o poder militar para fazer o que quiserem" e que "a Igreja estaria melhor se ficasse de fora disso". Essas declarações teriam sido interpretadas como uma repreensão direta aos comentários do papa.

Versões oficiais classificam reportagens como "distorcidas"

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira afirmando que "a versão apresentada por alguns veículos de comunicação sobre este encontro não corresponde à verdade de forma alguma". Bruni esclareceu que Pierre, que já se aposentou de suas funções, reuniu-se com Colby como parte das "obrigações habituais de um representante do papado, o que proporcionou uma oportunidade para trocar opiniões sobre assuntos de interesse mútuo".

Na quinta-feira, um dia antes do desmentido vaticano, o Pentágono já havia se pronunciado sobre o caso através de sua conta oficial no Facebook. A publicação afirmava que "as recentes reportagens sobre o encontro são altamente exageradas e distorcidas". O comunicado oficial acrescentava que "o encontro entre autoridades do Pentágono e do Vaticano foi uma discussão respeitosa e razoável".

Segundo a versão oficial do Departamento de Defesa americano, os participantes discutiram "uma série de tópicos, incluindo questões de moralidade na política externa, a lógica da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, bem como Europa, África, América Latina e outros assuntos de relevância internacional".

Diplomatas corroboram versão de encontro cordial

Brian Burch, embaixador americano no Vaticano, revelou que conversou com o cardeal Pierre na última quarta-feira e ecoou as declarações oficiais, afirmando que as reportagens circuladas "não refletem o que aconteceu" de fato. O diplomata relatou que "o cardeal descreveu o encontro como 'franco, mas muito cordial'", caracterizando assim uma discussão aberta porém respeitosa entre as partes.

Vale observar que o termo "franco" tem sido utilizado frequentemente por líderes internacionais, como Mark Rutte, chefe da Otan, para descrever conversas com Donald Trump em que ouvem críticas diretas. Apenas na quinta-feira, o presidente americano havia acusado a aliança militar de "voltar as costas" aos Estados Unidos no contexto da guerra no Oriente Médio, demonstrando o tom por vezes contundente das relações diplomáticas da administração Trump.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Apesar das tensões reportadas pela mídia, tanto o Vaticano quanto o Pentágono mantêm publicamente a posição de que as relações entre as instituições seguem dentro dos parâmetros do diálogo diplomático e do respeito mútuo, rejeitando qualquer interpretação de conflito ou repreensão entre as partes envolvidas.