Parlamento Europeu suspende acordo comercial com EUA após ameaças de Trump sobre Groenlândia
O Parlamento Europeu decidiu congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, conforme anunciado pela presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, nesta terça-feira (20). A medida representa uma resposta direta às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à anexação da Groenlândia, território autônomo vinculado à Dinamarca.
Ampliação da crise comercial
Nesta semana, o republicano anunciou que vai aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus, caso sejam contrários ao plano dos EUA de comprar a ilha. "A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", disse o presidente em uma publicação no Truth Social.
Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, classificou a estratégia americana como "chantagem", reiterando que ameaças alfandegárias estão sendo usadas para forçar "concessões injustificáveis". Barrot declarou apoio à suspensão do acordo e afirmou que a Comissão Europeia dispõe de "instrumentos muito poderosos" para responder às investidas de Washington.
Impactos do congelamento do acordo
Pelo tratado firmado em julho do ano passado, os EUA impuseram tarifas de 15% à maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em remover várias de suas taxas sobre importações americanas. Esse acordo, no entanto, só começaria a vigorar entre março e abril deste ano, após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco.
Com a suspensão do acordo, a UE volta a colocar na mesa uma possível imposição de tarifas retaliatórias aos EUA, que chegariam ao montante de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões), e uma possível restrição do acesso de empresas americanas ao bloco europeu.
Posicionamento europeu e reações internacionais
Nesta terça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é "inegociável" e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre Estados Unidos e União Europeia seriam um erro estratégico.
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as investidas para anexar a Groenlândia. Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma nova rota marítima importante para o comércio global e para a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção de seu Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger os EUA.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Medidas de segurança e protestos populares
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu. A crise também provocou protestos populares, com milhares de pessoas indo às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.