Trump lança Conselho da Paz para Gaza com poder vitalício e taxa bilionária
Trump lança Conselho da Paz para Gaza com poder vitalício

Trump inaugura Conselho da Paz para Gaza com estrutura polêmica e poder concentrado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, seu Conselho da Paz durante cerimônia no prestigiado Fórum Econômico de Davos. O evento contou com a presença de cerca de 60 lideranças mundiais convidadas, incluindo figuras como o presidente argentino Javier Milei e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que já confirmaram participação. No entanto, uma ausência notável é a do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não respondeu ao convite formal.

Estrutura e poder sem precedentes

O Conselho da Paz é uma iniciativa criada por Trump com o objetivo declarado de atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por anos de conflito. Segundo documentos obtidos pela agência Reuters, o estatuto do conselho estabelece que Donald Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo, com amplos poderes decisórios. Além disso, países interessados em obter um assento permanente na estrutura precisarão desembolsar a quantia de US$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,37 bilhões, recursos que serão administrados diretamente pelo presidente norte-americano.

Preocupações internacionais e críticas

A comunidade internacional tem expressado sérias reservas em relação à nova entidade. Diplomatas e analistas temem que o Conselho da Paz se transforme em uma espécie de ONU paralela, enfraquecendo significativamente o papel tradicional da Organização das Nações Unidas. É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU, afirmou uma fonte diplomática europeia ouvida pela Reuters. O professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenkel, reforça essa visão, alertando que a estrutura concentra poder demais em uma única liderança.

Composição e membros fundadores

A Casa Branca já divulgou os nomes dos sete membros fundadores do conselho executivo, todos escolhidos pessoalmente por Trump. A lista inclui o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro Tony Blair, o enviado especial Steve Witkoff, o genro Jared Kushner, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga, o magnata Marc Rowan e o colaborador Robert Gabriel. Até o momento, 25 países confirmaram participação, entre eles Israel, Argentina, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A Rússia, através de Vladimir Putin, afirmou que ainda estuda a proposta, enquanto nações como Noruega, Suécia e Itália já recusaram formalmente o convite.

O dilema brasileiro e a questão palestina

Para o presidente Lula, o convite representa um dilema político significativo. Desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023, o mandatário brasileiro tem sido vocal em suas críticas às operações militares israelenses e defensor da criação de um Estado palestino. Aceitar integrar o conselho poderia ser visto como incoerência, enquanto recusar pode prejudicar a recente aproximação diplomática com os Estados Unidos. Outro ponto crucial é a ausência de representação palestina no conselho, levantando dúvidas sobre sua efetividade real. Um conselho que não tem em sua composição nenhum palestino para falar sobre Gaza deixa muitas desconfianças no ar, avaliou o apresentador Marcelo Lins.

Contexto e funcionamento proposto

A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo Hamas em outubro do ano passado. O plano, divulgado pela Casa Branca, prevê Gaza como uma zona livre de grupos armados sob comando de um governo de transição supervisionado pelo novo órgão. Oficialmente, o conselho terá papel consultivo, assessorando o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza. No entanto, especialistas permanecem céticos sobre sua implementação e resultados práticos em um cenário geopolítico tão complexo.