Trump em Davos: exalta 'milagre econômico' dos EUA e ataca líderes europeus
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua participação no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, para realizar um discurso marcado por autopromoção e críticas contundentes. Durante sua fala na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o mandatário americano exaltou o que chamou de "milagre econômico" em seu país, enquanto direcionou ataques severos aos líderes e políticas do continente europeu.
Celebração das conquistas econômicas americanas
Trump iniciou seu discurso destacando uma série de conquistas que atribuiu ao primeiro ano de seu segundo mandato. Com sua característica retórica hiperbólica, ele afirmou que os Estados Unidos vivem a "recuperação econômica mais rápida e dramática da história". Entre os pontos mencionados, estavam:
- Expansão da economia nacional
- Ascensão da renda da população
- Controle da inflação
- Fechamento da fronteira, descrita anteriormente como aberta e perigosa
O presidente americano não poupou críticas ao seu antecessor, o democrata Joe Biden, atribuindo a situação de "pesadelo" que encontrou ao assumir a Casa Branca às políticas da administração anterior. "Os democratas de esquerda radical deixaram o país morto, agora os Estados Unidos são o país mais quente do mundo", declarou Trump, reforçando a ideia de que a nação se tornou o motor econômico global.
Críticas contundentes à Europa
Após exaltar os sucessos domésticos, Trump direcionou sua atenção ao continente europeu, que segundo ele "está indo na direção errada". Em um tom de advertência, o presidente americano listou uma série de problemas que, em sua visão, afligem a região:
- Gastos governamentais crescentes e descontrolados
- Políticas de imigração que resultam em fluxos sem fim
- Transferência de empregos para outras localidades
- Substituição de energia acessível pelo que chamou de "farsa do 'novo verde'"
- Importação de populações de terras distantes
"É um caminho escolhido com insensatez, que levou a déficits crescentes, a maior onda de imigração em massa da história, muitas partes do mundo sendo destruídas diante de nossos olhos, e os líderes não sabem o que estão fazendo", afirmou Trump, em uma das passagens mais duras de seu discurso.
Contexto de tensões transatlânticas
O pronunciamento ocorre em um momento de relações tensionadas entre os Estados Unidos e a Europa, especialmente devido à intensa campanha de pressão de Trump para adquirir a Groenlândia. A estratégia incluiu ameaças de novas tarifas comerciais, ampliando as fissuras na parceria transatlântica.
Durante sua fala, o presidente americano também criticou especificamente as políticas energéticas da Alemanha e do Reino Unido, sugerindo que na Europa é possível "enxergar o destino que a esquerda radical tentou impor aos Estados Unidos". Essa avaliação ecoa o conteúdo da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, divulgada no mês anterior, que descreve a Europa como enfrentando um "apagamento civilizacional" e defende que os americanos devem ajudar o continente a "corrigir sua trajetória atual".
Logística e tom do discurso
Apesar de um contratempo logístico — um problema a bordo do Air Force One que obrigou Trump a retornar e embarcar em outra aeronave —, o discurso começou com apenas dez minutos de atraso, às 10h40 (horário de Brasília). Ao cumprimentar a plateia, o presidente americano fez referência à diversidade de presentes, afirmando ser um prazer encontrar-se com "tantos líderes empresariais, tantos amigos, alguns inimigos e todos os ilustres convidados".
A participação de Trump em Davos reforça seu estilo diplomático direto e confrontacional, marcando mais um capítulo nas complexas relações internacionais que caracterizam seu governo. O discurso não apenas celebrou conquistas econômicas domésticas, mas também delineou claras divergências estratégicas com os aliados europeus, em um momento crucial para a geopolítica global.