Trump celebra 1 ano de mandato com coletiva polêmica sobre imigração e protestos
Trump em coletiva sobre imigração e protestos no 1º ano de mandato

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta quarta-feira, 20 de janeiro de 2026, para comemorar os primeiros 365 dias do seu segundo mandato. O evento ocorreu em um contexto de tensões internacionais, incluindo ameaças à Groenlândia, e foi dominado por temas como imigração e os recentes protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no estado de Minnesota.

Um "livro de realizações" e acusações sem provas

No início do discurso, Trump distribuiu um documento extenso, que ele chamou de "livro de realizações", contendo centenas de páginas com supostas conquistas de seu governo. Ele afirmou que esta é a "melhor administração" da história dos Estados Unidos, embora não tenha fornecido detalhes específicos para sustentar essa declaração.

Em seguida, o presidente passou a exibir dezenas de fotos de supostos criminosos presos em Minnesota, local onde protestos barulhentos contra o ICE têm ocorrido desde a morte de Renee Nicole Good, uma mulher baleada por um agente no início do mês. As imagens incluíam rostos de pessoas acusadas de crimes graves, como assassinato, estupro e tráfico de drogas, acompanhadas pela frase "os piores dos piores".

Defesa dos agentes e teorias da conspiração

Trump defendeu vigorosamente os agentes do ICE, classificando-os como "patriotas" e destacando os perigos de seu trabalho. Ele também acusou a população de Minnesota de proteger criminosos e, sem apresentar evidências, alegou que muitos dos manifestantes são "agitadores contratados".

Embora tenha expressado pesar pela morte de Renee Nicole Good, referindo-se a ela como a "mulher baleada", Trump argumentou que compreende "os dois lados" da situação. Ele afirmou que até o momento, 10.000 criminosos foram presos no estado, atribuindo a entrada dessas pessoas ao governo anterior de Joe Biden, a quem chamou de "sonolento" e "corrupto".

Comentários sobre política externa e tensões internacionais

Além dos temas domésticos, Trump abordou questões de política externa, incluindo acusações contra o regime de Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela. Ele afirmou que Maduro permitiu que milhares de criminosos e pessoas com transtornos mentais entrassem nos Estados Unidos, mas disse que agora está "amando a Venezuela" e que os EUA estão "funcionando muito bem" com o governo interino de Delcy Rodríguez.

Trump também elogiou a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, chamando-a de "mulher incrível" e mencionando que ela o presenteou com uma medalha do Prêmio Nobel da Paz. Ele argumentou que até Machado reconhece que ele merecia ter sido laureado com o prêmio.

Críticas à ONU e afirmações sobre a Otan

O presidente americano criticou o Conselho da Paz para Gaza, afirmando que ele enfraquece o papel das Nações Unidas. Ele disse que a ONU nunca o ajudou a encerrar nenhuma guerra, alegando ter colocado fim a oito conflitos ao redor do mundo durante seu governo.

Além disso, Trump afirmou ter feito "mais pela Otan do que qualquer pessoa viva ou morta", citando investimentos milionários dos EUA na aliança militar. Essas declarações ocorrem em meio a tensões crescentes sobre a Groenlândia, uma região autônoma administrada pela Dinamarca, que Trump aborda como uma questão de segurança nacional devido a seus recursos naturais.

A coletiva de imprensa destacou o estilo confrontador e polêmico de Trump, com foco em narrativas que misturam fatos com acusações não comprovadas, refletindo as divisões políticas e sociais que marcam seu mandato.