Trump estende convite global para Conselho da Paz de Gaza, mas enfrenta resistências
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um passo ousado na diplomacia internacional ao convidar o líder ucraniano Volodimir Zelenski para integrar o chamado Conselho da Paz. Esta iniciativa representa a segunda fase do plano republicano para encerrar o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Zelenski confirmou publicamente o recebimento do convite nesta terça-feira, dia 20 de janeiro de 2026, mas ainda não forneceu uma resposta definitiva.
Resistência ucraniana e lista extensa de convidados
A posição das autoridades ucranianas, no entanto, já demonstra ceticismo significativo. Elas afirmam categoricamente que não se veem participando de qualquer comissão ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, e do líder da Belarus, Aleksandr Lukachenko, ambos também convidados por Trump. Esta resistência surge enquanto a Ucrânia continua sob a invasão militar russa, um contexto que torna qualquer colaboração direta praticamente inviável.
O convite não se limitou à Ucrânia. Trump confirmou na noite de segunda-feira, 19 de janeiro, que havia estendido o convite a Vladimir Putin. Além disso, a China informou nesta terça-feira que igualmente recebeu a solicitação do presidente americano. O governo brasileiro foi chamado para compor o grupo, assim como dezenas de outras nações, incluindo:
- Argentina
- Paraguai
- Alemanha
- Canadá
- Polônia
- Armênia
- Cazaquistão
- Uzbequistão
- Israel
O Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema. Analistas apontam que pesa na decisão brasileira a estrutura proposta para o colegiado, que ficaria sob tutela direta de Donald Trump. Outro ponto de atenção é a tentativa do presidente americano de transformar este grupo em uma alternativa aos fóruns tradicionais de decisões internacionais, especialmente a Organização das Nações Unidas (ONU).
Estrutura controversa e custos financeiros
Vale destacar que a criação deste conselho específico para Gaza foi, paradoxalmente, autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo fontes próximas ao governo Trump ouvidas pela reportagem, há uma intenção de exigir o pagamento de pelo menos US$ 1 bilhão dos países que desejarem obter um assento permanente no grupo. As decisões dentro do conselho seriam tomadas por maioria simples, com um voto por Estado-membro, mas sempre dependendo de um aval final do presidente dos Estados Unidos.
França na mira de Trump e tensões transatlânticas
Em meio ao que especialistas consideram o momento mais delicado nas relações entre Washington e a Europa nos últimos anos, o presidente da França, Emmanuel Macron, deve recusar formalmente o convite para integrar o Conselho da Paz para Gaza. A informação foi divulgada pela agência Reuters, citando uma fonte próxima ao Palácio do Eliseu.
Macron, alvo frequente de críticas públicas de Trump, tem adotado uma postura mais firme contra o republicano desde a escalada das ameaças americanas de controle sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Nesta terça-feira, Trump intensificou seu tom contra aliados históricos dos Estados Unidos através de uma série de mensagens na rede social Truth Social.
Em uma dessas publicações, ele divulgou uma suposta mensagem de Macron afirmando não compreender a postura americana em relação à Groenlândia. Anteriormente, Trump já havia ameaçado impor tarifas comerciais e ironizado a situação política do presidente francês, cujo mandato está programado para terminar em maio de 2027.
Questionado diretamente sobre a possível recusa de Macron ao convite para o conselho, Trump foi incisivo: “ninguém o quer porque ele deixará o cargo em breve”. E completou com uma ameaça econômica: “Vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa fazer isso”. O Ministério da Agricultura da França classificou imediatamente a declaração como uma clara tentativa de chantagem política e econômica.
Próximos capítulos em Davos e papel do Egito
O Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, deve ser o palco para novas respostas e movimentações em relação ao convite para o conselho sobre Gaza. Curiosamente, Macron havia chegado a convidar Trump para um jantar em Paris após o evento, mas ambos estarão na Suíça em dias diferentes, tornando um encontro improvável.
Trump viajará para Davos acompanhado de uma ampla comitiva e tem prevista uma reunião com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi. Esta figura é considerada central nas negociações de cessar-fogo em Gaza e também foi convidada para integrar o Conselho da Paz. Autoridades egípcias, inclusive, já fazem parte do Conselho Executivo para Gaza, que atua como o braço técnico do plano que prevê a gestão do território palestino no pós-conflito.
Este cenário complexo ilustra os desafios de uma iniciativa diplomática que busca reunir líderes mundiais em torno da paz em Gaza, mas que simultaneamente acirra rivalidades geopolíticas existentes e testa os limites das alianças tradicionais.