Trump lança Conselho da Paz com polêmicas estruturais e cobrança bilionária
Nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a criação do Conselho da Paz, um novo órgão internacional cujo foco inicial é a reconstrução da Faixa de Gaza, com o objetivo futuro de resolver conflitos globais. Durante o discurso de abertura, Trump buscou tranquilizar países que temiam a substituição da ONU, afirmando contar com a participação do grupo. No entanto, a iniciativa já enfrenta críticas severas de especialistas em relações internacionais.
Composição controversa e reações internacionais
Pelo menos 25 países aceitaram integrar o Conselho, incluindo Rússia, Israel, Turquia e Arábia Saudita. Enquanto algumas nações europeias demonstram cautela, outras como França, Noruega e Suécia já sinalizaram que não participarão. O Brasil, por sua vez, ainda estuda sua possível adesão ao grupo. A presença de líderes com histórico de guerras e ofensas a outros países, como Vladimir Putin, tem sido apontada como um fator que tira credibilidade da iniciativa.
Críticas à estrutura e financiamento
O analista de relações internacionais Uriã Fancelli destacou durante o Conexão Record News que a estrutura problemática do Conselho e a figura central de um presidente que ameaça invadir aliados são os principais motivos que afastam possíveis membros. Fancelli expressou preocupação com o fato de a presidência do conselho estar vinculada diretamente à figura de Trump, e não à presidência dos Estados Unidos, levantando questões sobre sua continuidade após o fim do mandato presidencial.
Além disso, o especialista criticou o modelo de financiamento, que permite a países garantirem um assento permanente mediante o pagamento de US$ 1 bilhão. Fancelli apontou falta de transparência e detalhamento no processo de entrada, além de destacar a desigualdade de recursos para nações mais pobres. Em uma comparação contundente, ele afirmou: "O Trump parece estar confundindo o conceito do próprio clube que ele tem, o Mar-a-Lago, onde as pessoas compram uma ação para poderem ser sócios, com as instituições internacionais".
Questionamentos sobre motivações e credibilidade
Fancelli também levantou dúvidas sobre as motivações dos países que aderiram ao Conselho, sugerindo que os únicos que estão entrando no grupo "ou são autocracias ou são democracias que bajulam o Donald Trump, para receber alguma coisa em troca". A inclusão de figuras como Vladimir Putin, que possui mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por sequestro de crianças ucranianas, e Aleksandr Lukashenko, ditador de Belarus, foi citada como um elemento que gera confusão e compromete a credibilidade do órgão.
O analista enfatizou a necessidade de maior clareza e transparência na estrutura e funcionamento do Conselho da Paz, especialmente considerando seu ambicioso objetivo de promover a paz global. As críticas de Fancelli refletem preocupações mais amplas sobre a eficácia e legitimidade de iniciativas internacionais lideradas por figuras políticas controversas.