Trump provoca aliados em Davos com proposta polêmica sobre imigração e interesse na Groenlândia
Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou nova controvérsia internacional ao sugerir que seu país poderia acionar a Otan para enfrentar a imigração na fronteira com o México. Em postagem em rede social nesta quinta-feira (22), o mandatário norte-americano tratou a entrada de migrantes como uma "invasão" e propôs o uso do Artigo 5 do tratado da aliança militar, mecanismo tradicionalmente reservado para ataques armados contra países-membros.
Proposta inédita para a Otan
Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam invocar o Artigo 5 para forçar os aliados a ajudarem na proteção da fronteira sul. "Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais", escreveu o presidente. Essa interpretação do tratado é inédita na história da aliança, já que o Artigo 5 foi utilizado apenas uma vez, em 2001, após os atentados de 11 de setembro.
Tensões com a Europa e insistência na Groenlândia
As declarações ocorrem em meio a crescentes tensões entre Washington e seus aliados europeus. Durante o fórum em Davos, Trump reafirmou seu interesse na aquisição da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, afirmando que "nenhum outro país além dos EUA é capaz de garantir a segurança da Groenlândia". O presidente assegurou que não pretende usar a força para tomar o território, mas fez novas ameaças à Otan.
"Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva", declarou Trump, acrescentando que os Estados Unidos são "tratados de forma muito injusta pela aliança". O presidente também afirmou ter avançado nas negociações com a Otan sobre a Groenlândia, buscando acesso total à ilha.
Contexto e repercussões
Esta não é a primeira vez que Trump demonstra interesse na Groenlândia, mas suas declarações em Davos ganham destaque pelo tom ameaçador em relação à Otan e pela proposta controversa sobre imigração. A sugestão de usar o Artigo 5 para questões migratórias representa uma significativa expansão na interpretação do tratado, o que pode gerar reações negativas entre os aliados europeus, já preocupados com as políticas externas norte-americanas.
O episódio ilustra as complexas dinâmicas nas relações transatlânticas durante a administração Trump, marcadas por divergências sobre segurança, comércio e agora sobre a soberania de territórios árticos. Enquanto isso, a questão da imigração continua sendo um ponto central na agenda política dos Estados Unidos, com o presidente buscando abordagens não convencionais para lidar com o fluxo de migrantes.