Tempestades em Portugal adiam segundo turno das eleições presidenciais em municípios afetados
Tempestades adiam eleições presidenciais em Portugal

Tempestades em Portugal adiam segundo turno das eleições presidenciais em municípios afetados

As tempestades que têm atingido Portugal nas últimas semanas causaram o adiamento do segundo turno das eleições presidenciais, que ocorre em todo o país neste domingo (8), em alguns municípios mais impactados pelas condições climáticas adversas. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, cidades localizadas no sul e no centro do território português decidiram postergar a votação por uma semana, devido aos estragos e riscos associados aos temporais.

Impacto eleitoral e números do adiamento

Cerca de 37 mil eleitores, o que corresponde a aproximadamente 0,3% do total de votantes em Portugal, foram diretamente afetados por essa medida de adiamento. Esse cenário climático excepcional introduziu um elemento de incerteza em um pleito que já é histórico, marcando a primeira vez em 40 anos que o país realiza um segundo turno para a presidência, refletindo a grande fragmentação política observada no primeiro turno, com a participação recorde de 11 partidos.

Posicionamento dos candidatos frente ao adiamento

O candidato André Ventura, do partido de extrema direita Chega, que ficou em segundo lugar no primeiro turno com 23,49% dos votos, criticou veementemente o governo por manter a data original das eleições. Ele argumentou que o adiamento deveria ter sido aplicado de forma mais ampla, em solidariedade às vítimas das chuvas torrenciais e ventos fortes. "Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas", afirmou Ventura ao chegar para votar.

Por outro lado, António José Seguro, candidato do Partido Socialista e favorito nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 31% no primeiro turno, expressou solidariedade aos afetados pelas tempestades, mas enfatizou a importância da participação eleitoral. "Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país", declarou Seguro, ressaltando que a eleição do Presidente da República para os próximos cinco anos é uma decisão crucial.

Contexto climático e preocupações com abstenção

Uma série de temporais de inverno tem assolado Portugal nas últimas semanas, resultando em cinco mortes e significativa destruição, incluindo uma cidade praticamente submersa. Os candidatos adaptaram suas campanhas para visitar áreas afetadas e dialogar com moradores, ambos criticando a resposta do governo atual aos efeitos dos temporais, que continuam a atingir também a vizinha Espanha.

Uma nova frente fria com tempestades, que chegou ao país no fim da semana, gerou temores de uma alta abstenção, já que o voto não é obrigatório em Portugal. Isso pode alterar as previsões atuais, que indicam uma vantagem substancial para Seguro, com 70% das intenções de voto contra 30% de Ventura, segundo pesquisa do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica. Ventura enfrenta um índice de rejeição de cerca de 60% dos eleitores, conforme levantamentos.

Sistema político português e importância da presidência

Portugal opera sob um sistema semipresidencialista, onde o Poder Executivo é dividido entre o presidente e o primeiro-ministro. O presidente, atualmente Marcelo Rebelo de Sousa, que está no cargo há quase uma década e não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, exerce funções cerimoniais mas detém poderes significativos em momentos críticos, como:

  • Ser o chefe das Forças Armadas, com capacidade de mobilizar tropas.
  • Fiscalizar o governo, podendo destituí-lo se julgar necessário.
  • Dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
  • Nomear o primeiro-ministro após indicação parlamentar.
  • Vetar leis consideradas inconstitucionais ou prejudiciais.

Este modelo, consolidado após a Revolução dos Cravos em 1974, visa evitar a concentração de poder e é adotado por cerca de 50 países no mundo, incluindo França e Polônia na Europa.

Conclusão e perspectivas futuras

O adiamento parcial do segundo turno devido às tempestades adiciona uma camada de complexidade a uma eleição já carregada de significado histórico e político. Com a fragmentação partidária e o contexto climático desafiador, o resultado final permanece incerto, embora as pesquisas sugiram uma provável vitória de Seguro. A capacidade de mobilização eleitoral em meio às adversidades meteorológicas será um fator determinante para o futuro de Portugal, que enfrenta sua quinta eleição nacional desde 2024.