Novo sistema de fronteiras da União Europeia provoca filas e atrasos em aeroportos
A implantação do novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia está causando longas filas e atrasos significativos em aeroportos por todo o continente europeu. Passageiros que viajam pela Europa já enfrentam esperas que podem chegar a até três horas em rotas mais movimentadas, conforme alerta do Conselho Internacional de Aeroportos.
Impacto imediato e registros de atrasos
Os atrasos foram registrados em diversos países, incluindo França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica e Grécia, desde que o Sistema de Entrada/Saída (EES) entrou em vigor de forma mais ampla nos países do espaço Schengen na última sexta-feira, 10 de abril de 2026. Este modelo digital substitui o carimbo tradicional no passaporte e exige o registro de dados pessoais e biométricos, como impressões digitais e reconhecimento facial, de viajantes de fora do bloco europeu.
Passageiros foram observados aguardando no Aeroporto Internacional de Munique, na Baviera, sul da Alemanha, ilustrando os desafios operacionais enfrentados. A entidade que representa operadores aeroportuários alerta que a situação pode piorar com a aproximação do verão europeu, período de maior fluxo de turistas. "A situação será simplesmente incontrolável nos meses de pico", afirmou um porta-voz ao jornal Financial Times.
Pressão por flexibilização e resposta das autoridades
Diante dos gargalos, o Conselho Internacional de Aeroportos pediu à Comissão Europeia autorização para suspender temporariamente o registro biométrico em momentos de congestionamento extremo. A proposta permitiria interromper as verificações do EES quando o tempo de espera sair do controle, visando evitar colapsos operacionais em grandes aeroportos.
A Comissão Europeia, por sua vez, minimizou os problemas. Em nota, o órgão afirmou que o sistema "funciona bem na maioria dos Estados-membros" e atribuiu os atrasos a dificuldades pontuais de adaptação. Esta postura contrasta com as preocupações expressas pelos operadores aeroportuários, que veem riscos iminentes para a eficiência do transporte aéreo.
Funcionamento do Sistema de Entrada/Saída (EES)
O EES abrange 29 países europeus, como França, Espanha, Portugal, Itália e Grécia, sendo obrigatório para cidadãos de fora da União Europeia. Na prática, o sistema registra digitalmente cada entrada e saída, além de controlar o tempo de permanência no bloco. Na primeira viagem após a implementação, o passageiro deve:
- Escanear o passaporte
- Fornecer impressões digitais
- Tirar uma foto para reconhecimento facial
Esses dados ficam armazenados por até três anos e são reutilizados nas viagens seguintes, com verificação automatizada. Crianças menores de 12 anos não precisam fornecer impressões digitais. A coleta pode ser feita tanto por agentes de fronteira quanto em quiosques de autoatendimento instalados em aeroportos, portos e estações internacionais. Em alguns casos, há também aplicativos para pré-cadastro, embora a validação presencial continue obrigatória.
A implementação deste sistema representa uma mudança significativa na gestão de fronteiras da UE, mas os atrasos iniciais destacam os desafios de adaptação e a necessidade de ajustes para garantir fluidez nas viagens internacionais.



