Reino Unido aprova megaembaixada chinesa em Londres após 3 anos de polêmica
Reino Unido aprova megaembaixada chinesa em Londres

O governo britânico aprovou oficialmente nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, a construção da maior embaixada da China em toda a Europa, localizada no coração de Londres. A decisão põe fim a três anos de impasse, durante os quais o projeto enfrentou forte resistência de moradores locais, legisladores e ativistas pró-democracia de Hong Kong residentes no Reino Unido.

Controvérsia e segurança nacional

A autorização ocorre em meio a alertas persistentes de críticos, que temem que o edifício diplomático possa ser utilizado como uma base avançada para atividades de espionagem chinesa. O secretário de Estado para as Comunidades do Reino Unido, Steve Reed, justificou a aprovação afirmando que "objeções éticas ou similares à instalação de uma embaixada para um país específico não podem ser consideradas um fator relevante no planejamento".

Reed destacou ainda que nenhum órgão responsável pela segurança nacional britânica, incluindo o Ministério do Interior, o Ministério das Relações Exteriores, a polícia e as agências de inteligência MI5 e MI6, se opôs formalmente à proposta. Segundo ele, a China concordou em consolidar sete instalações diplomáticas dispersas em uma única sede, o que facilitaria o monitoramento por parte das autoridades britânicas.

Posicionamento das agências de inteligência

O governo publicou uma carta conjunta assinada por Ken McCallum, chefe do MI5, e Anne Keast-Butler, chefe do Government Communications Headquarters (GCHQ). No documento, os dois altos oficiais de espionagem ponderaram que "não é realista esperar eliminar completamente todos os riscos potenciais", mas garantiram ter elaborado "um pacote de medidas de mitigação de segurança nacional" com apoio "especializado, profissional e proporcional".

Oposição política e reações

A decisão desencadeou imediatas críticas da oposição conservadora. Priti Patel, secretária-sombra dos Negócios Estrangeiros, acusou o primeiro-ministro Keir Starmer de uma "vergonhosa rendição da superembaixada", argumentando que ele estaria entregando ao presidente chinês, Xi Jinping, "o que ele quer: um colossal centro de espionagem no coração da nossa capital".

Iain Duncan Smith, ex-líder do Partido Conservador e co-presidente da Aliança Interparlamentar sobre a China, foi ainda mais contundente: "Esta é uma decisão terrível que ignora a brutalidade abominável do Partido Comunista Chinês, que pratica trabalho forçado em seu próprio território, espiona o Reino Unido e usa ataques cibernéticos para prejudicar nossa segurança interna".

Resistência dos moradores e próximos passos

Os residentes vizinhos ao local escolhido, o histórico complexo Royal Mint Court, já sinalizaram que pretendem recorrer da decisão na Justiça. Mark Nygate, tesoureiro da associação de moradores do Royal Mint Court, afirmou que eles "estão determinados a continuar lutando contra a decisão de hoje".

Para financiar uma possível revisão judicial, os moradores precisam arrecadar cerca de £145.000, o equivalente a mais de R$ 1 milhão, a fim de custear representação legal especializada. A batalha judicial promete prolongar ainda mais o já conturbado processo de implantação da megaembaixada chinesa em solo britânico.