Reações Políticas nos Estados Unidos às Ameaças de Trump sobre a Groenlândia
As ameaças recentes de Donald Trump de tomar a Groenlândia têm gerado uma onda de reações significativas entre as lideranças dos partidos republicano e democrata nos Estados Unidos. Este cenário político se intensifica com a aproximação das eleições parlamentares de 2026, quando os americanos irão às urnas para escolher representantes na Câmara e no Senado.
Contexto das Ameaças e Respostas do Congresso
Donald Trump elevou o tom das ameaças de anexar a Groenlândia após uma ação militar sem precedentes na Venezuela. O Congresso, que por lei é a única entidade com autoridade para autorizar um ataque, não tomou medidas para impedir a ofensiva naquele país da América do Sul. Diante dessa inação, Trump retomou uma ambição antiga de anexar o território da Dinamarca, um aliado da OTAN, o que encontrou resistência entre parlamentares.
Na sexta-feira passada, um grupo composto por nove senadores democratas e dois republicanos viajou até Copenhague, na Dinamarca, para se reunir com lideranças locais e reafirmar o apoio à soberania do país. A oposição democrata chegou a cogitar invocar a 25ª emenda da Constituição, que permite derrubar um presidente por incapacidade, mas essa medida dificilmente avançaria devido à maioria do Partido Republicano no Congresso.
Posicionamentos e Discursos Políticos
O presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, membro do partido de Trump, foi convidado esta semana para visitar o Parlamento Britânico. Ele evitou se contrapor diretamente a Trump, afirmando que não imaginava uma intervenção militar na Groenlândia e defendendo o caminho da diplomacia. Nesta quarta-feira (21), Trump descartou o uso da força para tomar o território, o que foi elogiado por integrantes do Partido Republicano.
Um senador republicano expressou: "Estou muito feliz que o uso de força tenha sido descartado... era uma ideia ruim". No entanto, figuras como o senador Lindsay Graham adotaram um discurso de que os Estados Unidos precisam ter a Groenlândia para a segurança nacional, refletindo uma visão crescente dentro do partido.
Impacto das Eleições e Opinião Pública
Brian Rosenwald, pesquisador em políticas públicas da Universidade da Pensilvania, explicou ao Jornal Nacional que o fato de os Estados Unidos estarem em um ano de eleição parlamentar impacta diretamente as reações do campo político. Ele destacou: "Se você é republicano e decide enfrentar Donald Trump, você vai perder a eleição, porque ele vai apoiar seu adversário no seu estado. A menos que a situação se agrave muito, você não vai ver republicanos se voltando contra Donald Trump. Já os democratas são o oposto: eles estão lutando, mas simplesmente não têm poder neste momento".
A vontade do eleitorado também desempenha um papel crucial nas articulações políticas. Antes mesmo de Trump anunciar qualquer acordo sobre a Groenlândia, a resistência às suas ameaças já era significativa. Mais de 70% dos americanos se opunham ao uso da força para tomar a ilha, e dois terços manifestavam preocupação com as ações de Trump, acreditando que elas poderiam prejudicar a Aliança Militar do Ocidente e as relações com os europeus.
Este cenário complexo ilustra as tensões políticas internas nos Estados Unidos, onde as ambições internacionais de Trump se chocam com a realidade eleitoral e a opinião pública, moldando as reações dos partidos em um momento crítico para a democracia americana.