Colaboração inesperada: prisão de testa de ferro de Maduro marca virada nas relações EUA-Venezuela
A prisão de Alex Saab, figura central no círculo íntimo do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, emerge como um sinal impressionante de uma colaboração gradual entre o regime de Caracas e os Estados Unidos. Este evento revela uma transformação lenta, porém significativa, no cenário político venezuelano, onde o governo interino de Delcy Rodríguez parece alinhar-se progressivamente com as diretrizes norte-americanas.
O caso Alex Saab: de ministro a prisioneiro
Alex Saab, um cidadão colombiano que chegou a ser nomeado ministro da Indústria por Maduro, foi preso pelo FBI em Cabo Verde no ano de 2020. As acusações contra ele incluem a utilização do sistema financeiro americano para lavar aproximadamente 350 milhões de dólares, supostamente desviados dos cofres públicos venezuelanos. A valorização de Saab por parte de Maduro era tão evidente que o ex-presidente liderou uma campanha pública por sua liberdade, exibindo cartazes nas ruas como se ele fosse uma vítima de perseguição política.
Em um movimento estratégico, Maduro conseguiu incluir Saab em uma troca de prisioneiros com o governo de Joe Biden, que resultou na libertação de dez cidadãos americanos detidos na Venezuela, incluindo executivos do setor petrolífero. Ao retornar, Saab foi recebido como herói, um ato que muitos analistas interpretam como uma afronta não apenas aos Estados Unidos, mas também ao povo venezuelano, ao glorificar um indivíduo com extensas acusações criminais.
Mudanças em câmera lenta: a nova realidade venezuelana
A prisão de Saab demonstra como o governo de Delcy Rodríguez está colaborando com a administração de Donald Trump, promovendo alterações políticas de forma gradual. Embora muitos venezuelanos expressem frustração com a percepção de que "os mesmos continuam roubando igualzinho", como relatado em entrevistas pelo site argentino Infobae, a realidade é que transformações substantivas estão em curso.
- O governo venezuelano revisou a legislação sobre petróleo.
- Presos políticos estão sendo libertados paulatinamente.
- Uma anistia geral foi aprovada.
- Processos para levantar sanções internacionais estão em andamento.
- Uma nova embaixadora americana já assumiu suas funções em Caracas.
Esses desenvolvimentos indicam que, embora a mudança seja lenta, ela é real e está reconfigurando o panorama político do país.
A tática de Trump: escolher com quem brigar
A colaboração entre Trump e Rodríguez representa um dos episódios mais inusitados da história política contemporânea. A presidente interina venezuelana tem uma visita agendada a Washington para discutir diferenças e dificuldades, um encontro que alguns comparam a um cordeiro negociando com um lobo. A abordagem de Trump sugere uma estratégia seletiva: ele opta por contemporizar com alguns interlocutores, ignorando provocações ou históricos problemáticos, enquanto escolhe confrontar outros.
Essa postura pode indicar uma predisposição para soluções negociadas em conflitos internacionais, como possivelmente com o Irã, o que poderia reduzir tensões no mercado petrolífero global. Além disso, atende a uma base eleitoral isolacionista que espera menos intervenções estrangeiras em regimes considerados fracassados.
Lições de intervenções passadas: um histórico de fracassos
A experiência histórica recente oferece lições valiosas sobre os riscos de intervenções para mudança de regime. A invasão do Iraque, por exemplo, foi idealizada como um catalisador para a democratização regional, mas resultou em aumento do terrorismo, ascensão de grupos radicais como o Estado Islâmico e um alinhamento do país com o Irã. Da mesma forma, a derrubada de Muammar Kadafi na Líbia mergulhou a nação em um caos prolongado, com múltiplos grupos disputando o poder.
Esses exemplos reforçam a complexidade de se responder a perguntas como: seria preferível manter ditadores capazes de impor ordem, apesar dos abusos? Ou é mais benéfico buscar acordos diplomáticos, mesmo com regimes adversários? A prisão de Alex Saab, e a possível extradição, é apenas um elemento nessa construção política inédita.
Outras prisões significativas: ampliando o alcance da justiça
Além de Saab, outro nome de destaque foi detido: Raúl Gorín, que adquiriu a emissora Globovisión para transformá-la em um veículo de propaganda chavista. Gorín também enfrenta acusações de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas no valor de um bilhão de dólares a funcionários do governo, um dos quais já colabora com a Justiça americana após ser preso nos Estados Unidos.
Essas prisões indicam que, mesmo que as mudanças pareçam lentas, o mundo venezuelano está dando voltas significativas. A colaboração entre Caracas e Washington, ainda que complexa e cheia de nuances, está redefinindo as relações bilaterais e o futuro político da Venezuela.