Opositor venezuelano é transferido para prisão domiciliar após nova detenção
O ex-parlamentar oposicionista venezuelano Juan Pablo Guanipa foi transferido para o regime de prisão domiciliar nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, apenas um dia após ser detido novamente pelas autoridades do país. A medida ocorre em meio a uma crescente pressão por uma anistia geral para presos políticos, enquanto a família do líder opositor classifica a situação como uma prisão injusta e exige liberdade plena.
Liberdade curta e nova prisão
Guanipa, de 61 anos e líder do partido conservador Primero Justicia, havia sido libertado durante o fim de semana após cumprir nove meses de pena na penitenciária Helicoide, em Caracas, destinada a presos políticos. Sua soltura fazia parte de uma leva promovida pelo governo da presidente interina Delcy Rodríguez, em um gesto apresentado como de boa fé.
No entanto, a liberdade durou menos de 12 horas. Após ser solto, Guanipa percorreu as ruas da capital em uma caravana, conversou com familiares de outros presos políticos, exigiu novas eleições e participou de protestos em frente ao Helicoide. Nas redes sociais, publicou vídeos classificando o regime atual como ilegítimo.
Detenção descrita como sequestro
O Ministério Público da Venezuela determinou sua nova prisão, alegando que Guanipa violou os termos de sua soltura, sem fornecer mais detalhes. Em comunicado, o órgão afirmou que as medidas cautelares estão condicionadas ao estrito cumprimento das obrigações impostas.
A detenção foi cumprida pouco antes da madrugada em Caracas e foi denunciada como um sequestro pela líder da oposição, Maria Corina Machado. Em publicação na rede social X, ela descreveu que homens fortemente armados e à paisana chegaram em quatro veículos no bairro de Los Chorros e levaram Guanipa à força, exigindo sua libertação imediata.
Família exige liberdade plena
O filho de Guanipa, Ramón, utilizou a conta do opositor no X para informar que o pai está em sua casa em Maracaibo, mas ressaltou que a prisão domiciliar continua sendo uma prisão. Ele exigiu a liberdade plena de Guanipa e de todos os presos políticos na Venezuela, refletindo a insatisfação com a medida.
Juan Pablo Guanipa foi inicialmente detido em maio de 2025 após questionar a controversa vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 2024. Sua trajetória tem sido marcada por confrontos com o governo, e sua recente prisão ocorre em um contexto de mudanças na política venezuelana.
Pressão por anistia geral
O retorno de Guanipa ao cárcere, mesmo que domiciliar, acontece em um momento de expectativa por uma anistia geral para os 27 anos de regime chavista. Sob pressão dos Estados Unidos, espera-se que o Parlamento venezuelano aprove a medida, ampliando as libertações iniciadas por Rodríguez.
Enquanto Caracas afirma que mais de 600 prisioneiros foram libertados, a ONG de direitos humanos Foro Penal contesta os números, indicando que apenas 383 solturas ocorreram de fato. A falta de uma anistia ampla mantém familiares de presos políticos em protesto.
Manifestações e suspensão parlamentar
Nesta manhã, cerca de 40 manifestantes se reuniram em frente à Assembleia Nacional em Caracas, pedindo anistia imediata. A sessão parlamentar desta terça-feira, que previa a aprovação da proposta, foi suspensa pela Secretaria do Poder Legislativo, causando revolta entre os presentes.
Revoltosos nas proximidades do Palácio Legislativo continuam a exigir a liberdade de todos os presos políticos, destacando a tensão persistente no país. A situação de Guanipa simboliza os desafios enfrentados pela oposição venezuelana em um cenário político ainda instável.