Casa Branca usa música de Sabrina Carpenter em vídeo de imigração
Música de Sabrina Carpenter em vídeo da Casa Branca

A administração do presidente dos Estados Unidos gerou polêmica nas redes sociais ao utilizar uma música da pop star Sabrina Carpenter em um vídeo institucional sobre imigração. A publicação, que mostra agentes federais realizando prisões, foi feita pela conta oficial da Casa Branca na última segunda-feira, dia 1º.

O contexto da música e a edição do vídeo

A faixa escolhida foi "Juno", um sucesso da cantora. A seleção não parece ter sido aleatória. Durante sua turnê "Short and Sweet", Sabrina Carpenter costumava usar essa música em uma brincadeira interativa com o público. A performance envolvia "prender" alguém da plateia – frequentemente uma celebridade como Anne Hathaway ou Nicole Kidman – por ser "sexy demais". Como parte do teatro, ela lançava um par de algemas de plumas rosa em direção à pessoa "detida".

No vídeo oficial do governo americano, no entanto, a conotação é totalmente diferente. A edição sincroniza cenas de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) perseguindo e algemando imigrantes com o ritmo acelerado da canção. Trechos da letra, como "Vamos tentar algumas posições ousadas. Você já tentou essa aqui?", são ouvidos enquanto as imagens repetem momentos de imigrantes sendo contidos.

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Repercussão e silêncio da artista

A apropriação do contexto lúdico da música para ilustrar operações de imigração reais e potencialmente traumáticas foi amplamente criticada por usuários nas redes sociais. Muitos apontaram a dissonância entre a brincadeira de palco e a seriedade das cenas mostradas.

Até a manhã desta terça-feira, dia 2, Sabrina Carpenter não se manifestou publicamente sobre o uso de sua música no material de divulgação do governo. A ausência de um posicionamento da artista sobre o caso tem sido notada por fãs e pela imprensa especializada.

O que significa essa ação?

A utilização de músicas pop em comunicações governamentais não é inédita, mas a escolha por "Juno", considerando seu contexto performático específico, adiciona uma camada extra de interpretação. Analistas veem a edição como uma tentativa de normalizar ou até mesmo estetizar as ações de controle migratório, utilizando a linguagem e o engajamento da cultura popular.

O vídeo permanece publicado nos perfis oficiais da Casa Branca, servindo como um exemplo do uso da cultura de massa como ferramenta de comunicação política. O episódio levanta questões sobre os limites desse tipo de apropriação e a responsabilidade dos artistas quando seu trabalho é utilizado em contextos não previstos inicialmente.

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