Megyn Kelly: a ex-aliada que se tornou a maior inimiga de Trump na direita
A paisagem política dos Estados Unidos testemunha um fenômeno marcante: a transformação de uma antiga aliada em uma das vozes mais críticas e influentes contra o presidente Donald Trump. Megyn Kelly, ex-apresentadora da Fox News, agora comanda um podcast no YouTube que atrai mais de 100 milhões de visualizações mensais, posicionando-a como uma das mulheres mais poderosas do país e, paradoxalmente, como uma adversária formidável do próprio líder que ela já apoiou.
Uma crítica vinda da direita
O que torna a oposição de Kelly especialmente significativa é sua origem. Diferente dos ataques provenientes da esquerda, seus argumentos surgem do próprio espectro conservador, atacando Trump por ter traído promessas fundamentais de sua campanha. Ela concentra fogo na decisão de envolver os Estados Unidos em um conflito no Irã, uma movimentação que considera abominável e contrária aos interesses da base eleitoral que levou Trump à vitória.
Megyn Kelly não compartilha do viés antissemita de outros influenciadores de direita, como Tucker Carlson, mas também acusa o presidente de ceder excessivamente à influência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em entrevista a Piers Morgan, outro crítico conservador, Kelly foi incisiva: "A questão agora não é quem Trump perdeu. É quem continua com ele".
A fratura na base trumpista
Segundo a analista, Trump sofreu uma erosão grave de apoio entre grupos cruciais para sua eleição: homens, jovens e a classe trabalhadora. Ela argumenta que a promessa de evitar guerras em territórios distantes foi quebrada, gerando descontentamento entre eleitores que priorizam questões domésticas, como saúde, habitação e economia.
"Estamos fartos de ser a polícia do mundo. O que conta para nós é o que está acontecendo em Iowa, não no Irã", declarou Kelly, destacando o desinteresse do eleitorado por conflitos no Oriente Médio. Ela enfatiza que a coalizão que elegeu Trump está "completamente fraturada e quebrada em mil pedaços", acusando o presidente de ignorar tanto seu partido quanto sua base original.
Análise estratégica e consequências
Kelly também avalia que o Irã saiu fortalecido do conflito, ao manter o controle do estratégico Estreito de Ormuz, e critica Trump por não ouvir alertas militares sobre os riscos da intervenção. Ela cita uma reportagem do New York Times que revelou discordâncias dentro do governo, com figuras como o secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA John Rattcliffe questionando as projeções otimistas de Netanyahu sobre uma mudança de regime no Irã.
O resultado, segundo ela, é um racha consumado nas fileiras trumpistas, com a perda de influenciadores-chave como Tucker Carlson e a própria Kelly. Trump reagiu com desdém, chamando seus ex-simpatizantes de "estúpidos" e "malucos", mas a realidade é que cada ataque retórico de Kelly ressoa entre milhões de ouvintes, potencialmente minando ainda mais o apoio ao presidente.
Em um cenário político polarizado, a voz de Megyn Kelly emerge como um termômetro poderoso do descontentamento conservador, provando que, às vezes, o maior inimigo de um líder é aquele que já esteve ao seu lado.



