Lula e Trump: encontro na Casa Branca pode redefinir relações bilaterais
Lula e Trump: encontro na Casa Branca pode redefinir relações

Lula e Trump se reencontram na Casa Branca em meio a tensões bilaterais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terão um encontro nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. A reunião ocorre em um contexto de atritos recentes, como a prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos EUA e a consequente expulsão de um agente da Polícia Federal brasileira. Em retaliação, o Brasil descredenciou um oficial americano.

Antecedentes da reunião

Em outubro do ano passado, Lula telefonou para Trump tentando quebrar o gelo com uma brincadeira sobre a idade. Lula estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará em junho. Na ocasião, o Brasil enfrentava tarifas americanas sobre diversos produtos. Segundo fontes, Lula afirmou que eles não tinham “mais idade” para provocações e prometeu visitar Trump perto de seu aniversário. Agora, faltando um mês para o aniversário de Trump, Lula estará na Casa Branca.

Tensões e pautas em jogo

Além do caso Ramagem, outros temas estão na mesa: os ataques de Trump ao Pix, a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA, investimentos em minerais críticos e as tarifas remanescentes do “tarifaço”. Especialistas apontam que o encontro deve abordar terras raras, acordos com a China e o Mercosul-UE.

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Estratégia eleitoral

Para Regiane Bressan (Unifesp), a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano. “A direita vincula a política externa brasileira à Venezuela e a governos progressistas. Essa estratégia de se desvincular disso é interessante, se o encontro significar autonomia e soberania brasileira.” Oliver Stuenkel (Carnegie Endowment e FGV) concorda: “Se for uma reunião bem-sucedida, Lula vai usar isso para mostrar que consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio Bolsonaro carece de experiência diplomática.”

Riscos de constrangimento

Trump tem histórico de reuniões tensas, como com Zelensky (Ucrânia) e Ramaphosa (África do Sul). No entanto, Stuenkel acredita que o histórico de Lula e Trump é “excelente” e que a presença de tradutor simultâneo reduz o risco de debates ríspidos. Casarões (Florida International University) lembra que muitos especulavam sobre uma “armadilha” para Lula, mas acredita que o brasileiro não será colocado na mesma saia-justa.

Esta será a segunda vez que Lula viaja aos EUA em seu terceiro mandato, mas a primeira à Casa Branca. O primeiro encontro foi em setembro na ONU, em Nova York, onde Trump disse ter tido “química excelente”. Em outubro, reuniram-se em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a Cúpula da Asean, por cerca de 50 minutos, com foco na suspensão de tarifas e na oferta de Lula como interlocutor entre EUA e Venezuela.

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