O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação formal contra o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. O foco do inquérito é apurar se as declarações públicas feitas pelos dois políticos constituíram um obstáculo à aplicação das leis federais de imigração no estado.
Investigação é vista como intimidação política
De acordo com informações de duas fontes familiarizadas com o caso, que falaram sob condição de anonimato na sexta-feira, 16 de fevereiro, a investigação analisa uma possível violação de uma lei sobre conspiração. Tanto Walz quanto Frey reagiram às notícias, classificando a ação do Departamento de Justiça como uma tática de intimidação política.
O gabinete de Walz afirmou que não recebeu qualquer notificação oficial sobre a investigação. Em um comunicado, o governador fez um paralelo com outros casos, mencionando os senadores Elissa Slotkin e Mark Kelly, além do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que também são alvos de investigações. “Instrumentalizar o sistema de Justiça e ameaçar adversários políticos é uma tática perigosa e autoritária”, declarou Walz.
Jacob Frey foi igualmente contundente, descrevendo a investigação como uma retaliação por ele “defender Minneapolis, nossas forças de segurança locais e nossos moradores contra o caos e o perigo que esta administração trouxe às nossas ruas”.
Operação do ICE gera tensão e protestos
A abertura da investigação ocorre no contexto de uma extensa operação de repressão à imigração que já dura semanas nas cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul. O Departamento de Segurança Interna descreveu a ação como a maior recente de fiscalização imigratória, resultando em mais de 2.500 prisões.
O clima na região ficou ainda mais tenso após o trágico episódio do dia 7 de janeiro, quando a agente do ICE, Jonathan Ross, atirou e matou Renee Good, de 37 anos, dentro de seu carro. O caso, investigado como legítima defesa pelas autoridades federais, gerou uma onda de protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
As ações dos agentes federais têm sido marcadas por confrontos. Eles são frequentemente cercados por transeuntes irritados que exigem que deixem os locais, enquanto retiram pessoas de veículos e residências. Diante da expectativa de mais protestos no fim de semana, autoridades estaduais, como o comissário Bob Jacobson, pediram que os manifestantes se mantenham pacíficos.
Decisão judicial limita ação de agentes federais
Em meio ao conflito, um juiz federal em Minnesota emitiu uma liminar importante na sexta-feira. A decisão proíbe que os agentes federais atuando na operação detenham ou usem gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos que não estejam obstruindo ativamente o trabalho das autoridades, mesmo que estejam apenas observando.
A ação judicial foi movida pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Minnesota, em nome de seis ativistas, argumentando que os agentes estariam violando direitos constitucionais. Advogados do governo, por outro lado, sustentam que os agentes atuam dentro de sua autoridade legal para aplicar as leis de imigração e garantir sua própria segurança.
Caso emblemático revela vai e vem nas detenções
A operação também expôs situações controversas de aplicação da lei. Um caso emblemático é o de Garrison Gibson, de 37 anos, um liberiano que fugiu da guerra civil ainda criança. Gibson, que tinha uma ordem de deportação aparentemente baseada em uma condenação por drogas anulada, vivia legalmente nos EUA sob uma ordem de supervisão.
Na semana passada, ele foi preso de forma dramática, com agentes arrombando sua porta com um aríete – cena registrada em vídeo. Um juiz distrital considerou a prisão ilegal e o libertou na quinta-feira. No entanto, ao comparecer a um escritório de imigração na sexta-feira para uma visita de rotina, Gibson foi detido novamente, sendo liberado horas depois. Seu advogado, Marc Prokosch, disse que o ICE agora informou estar “seguindo os trâmites adequados” para revogar a ordem de supervisão.
Enquanto a investigação contra as autoridades locais segue seu curso, a procuradora-geral Pam Bondi publicou uma mensagem na rede social X, sem mencionar especificamente o caso: “Um lembrete a todos em Minnesota: ninguém está acima da lei.” O gabinete do procurador dos EUA em Minneapolis não comentou imediatamente sobre a abertura do inquérito.