Irã demonstra disposição para ceder em negociações nucleares com os Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos renovou nesta sexta-feira, dia 6, um alerta urgente para que seus cidadãos deixem o território iraniano imediatamente. Em comunicado oficial, o Departamento de Estado norte-americano orientou:
"Saia do Irã agora. Tenha um plano para deixar o país que não dependa de ajuda do governo dos EUA."As recomendações incluem preparar-se para possíveis interrupções na internet, considerar rotas terrestres alternativas através da Armênia ou Turquia, manter estoques de alimentos e água, além de adotar um perfil discreto e acompanhar a mídia local para informações de última hora.
Encontro diplomático em Omã busca acordo nuclear
Paralelamente ao alerta de segurança, representantes do Irã e dos Estados Unidos se reuniram em Omã para discutir um possível acordo sobre o controverso programa nuclear iraniano. O encontro bilateral ocorreu em Mascate, capital do país, começando pouco antes das 5h no horário de Brasília.
Antes das negociações com os norte-americanos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, encontrou-se com o chanceler omanense Sayyid Al Busaidi. Araqchi viajou para Omã na quinta-feira, dia 5, com o objetivo declarado de alcançar um entendimento "justo, mutuamente aceitável e digno" sobre a questão nuclear.
Posições divergentes e contexto de tensão
As negociações ocorrem em um ambiente de crescentes tensões no Oriente Médio, marcado por recentes trocas de ameaças militares entre os dois países. Enquanto os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região com o envio de um porta-aviões, navios de guerra e aeronaves, o Irã posicionou mísseis balísticos avançados em bases subterrâneas.
As pautas das discussões revelam divergências fundamentais:
- Posição norte-americana: Limitação do alcance dos mísseis balísticos iranianos, fim do apoio a grupos armados na região, interferência em questões internas e busca por "capacidade nuclear zero" do Irã.
- Posição iraniana: Foco exclusivo no programa nuclear, defendendo seu caráter pacífico e rejeitando discussões sobre outros temas.
Horas antes do encontro, Araqchi afirmou que o Irã "entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado", enfatizando que "os compromissos precisam ser honrados".
Preocupação internacional e cenário militar
A escalada de tensões tem gerado preocupação entre líderes regionais e internacionais. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan trabalha para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio, enquanto países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Na véspera das negociações, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, lembrou que o presidente Donald Trump, como comandante das Forças Armadas, "dispõe de alternativas além da diplomacia". Trump afirmou preferir a via diplomática, mas advertiu que "coisas ruins" poderiam acontecer sem um acordo.
Enquanto isso, a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear, criticando ameaças de força e sanções. O chanceler alemão Friedrich Merz expressou "grande preocupação" com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.