Irã mostra disposição para concessões em diálogo nuclear com Estados Unidos
O Irã estaria disposto a ceder em negociações nucleares com os Estados Unidos, conforme revela o encontro agendado para esta sexta-feira (6) em Omã. As discussões sobre um possível acordo para o programa nuclear iraniano ocorrem em um cenário marcado por uma recente troca de ameaças militares entre os dois países, elevando as tensões na região do Oriente Médio.
Contexto de tensões e divergências na pauta
O diálogo acontece paralelamente ao aumento das hostilidades e ao envio de reforços militares americanos para a área. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas deixou claro que pode optar por uma ação militar caso não haja consenso. Autoridades de ambos os lados apresentam visões distintas sobre os temas a serem abordados.
Os Estados Unidos buscam limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país. A Casa Branca também defende a meta de capacidade nuclear zero para o Irã. Em contrapartida, o governo iraniano insiste que as conversas devem se restringir ao programa nuclear, alegando que ele tem fins exclusivamente pacíficos, enquanto Estados Unidos e Israel acusam o país de buscar desenvolver armas nucleares.
Preparações e objetivos das negociações
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, viajou para Omã na quinta-feira (5) para participar das negociações. Segundo fontes oficiais iranianas, o objetivo é alcançar um entendimento justo, mutuamente aceitável e digno sobre a questão nuclear. Araqchi deve se reunir em Mascate com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano.
Ameaças militares e movimentações estratégicas
Os Estados Unidos intensificaram a pressão ao enviar soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio. Trump advertiu que coisas ruins provavelmente acontecerão na ausência de um acordo. Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, lembrou que o presidente dispõe de alternativas além da diplomacia.
Simultaneamente, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária. Este míssil possui alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de até 1.500 kg. Os Estados Unidos pressionam o Irã a adaptar os mísseis para um alcance menor, com fontes iranianas indicando que os norte-americanos desejam limitá-lo a cerca de 500 km.
Preocupação internacional e apelos por estabilidade
As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a buscar reduzir a tensão. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo expressam temor de que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, manifestou grande preocupação com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região. A China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções, destacando a necessidade de uma solução negociada.