Premiê da Groenlândia pede preparação para possível invasão dos EUA
Groenlândia se prepara para possível invasão dos EUA

Premiê da Groenlândia pede que população se prepare para possível invasão dos EUA

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, fez um alerta público nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, instando a população a começar a se preparar para uma eventual incursão militar dos Estados Unidos. Embora tenha afirmado considerar "improvável" que os EUA de fato usem forças militares contra o território autônomo ligado à Dinamarca, Nielsen esclareceu que "nada está descartado" em meio às crescentes tensões internacionais.

Contexto das ameaças e preparativos

As declarações do premiê groenlandês ocorrem em um cenário de ameaças recorrentes do presidente americano, Donald Trump, que tem intensificado retóricas sobre assumir o controle da Groenlândia. Trump alega que a tomada do território seria necessária para a segurança nacional dos Estados Unidos e se recusou a descartar o uso da força militar para concretizar essa intenção.

Nielsen enfatizou a importância da preparação, afirmando: "Devemos estar preparados para todas as possibilidades. Mas enfatizamos que a Groenlândia faz parte da Otan e, se houver uma escalada, isso também terá consequências para o mundo exterior." A referência à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) destaca a complexidade geopolítica da situação, já que a Dinamarca, que administra a Groenlândia, é membro da aliança militar.

Discussões diplomáticas e proposta da Otan

Na segunda-feira, 19 de janeiro, a Dinamarca e a Groenlândia discutiram a possibilidade de uma missão da Otan na região do Ártico. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, confirmou que a proposta foi apresentada ao secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em uma reunião em Bruxelas que também contou com a presença da ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt.

Poulsen declarou: "Nós propusemos isso. O Secretário-Geral da Otan também tomou conhecimento disso, e acredito que agora podemos, com sorte, estabelecer uma estrutura sobre como isso pode ser alcançado. Isto também está em consonância com o que discutimos com o governo da Groenlândia." Essas discussões refletem os esforços para fortalecer a segurança regional diante das ameaças americanas.

Ampliação das tensões por Trump

Donald Trump tem vinculado suas ameaças à Groenlândia a questões pessoais, como a não concessão do Prêmio Nobel da Paz. Em uma carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, Trump afirmou que, após não ter ganhado o prêmio distribuído por um instituto norueguês independente, não sente mais necessidade de pensar "apenas em paz".

O presidente americano escreveu: "Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter impedido mais de oito guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas em paz", acrescentando que agora pode "pensar no que é bom e apropriado" para os Estados Unidos. Essa retórica tem sido usada para justificar ações mais agressivas, incluindo a imposição de tarifas comerciais.

Medidas econômicas e reações internacionais

No sábado, 17 de janeiro, Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre as importações da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, a partir de 1º de fevereiro. A medida é condicionada à autorização para que o governo americano compre a ilha ártica, com Trump declarando nas redes sociais: "Agora é a hora, e isso será feito!"

Em resposta, diplomatas da União Europeia se reuniram para uma reunião de emergência no domingo, 18 de janeiro, avaliando tarifas retaliatórias e sanções econômicas mais severas. As tensões transatlânticas continuam a aumentar, com a Groenlândia no centro de um conflito que mistura interesses estratégicos, recursos naturais e disputas políticas.

A Groenlândia, um território semiautônomo rico em minérios e com importância geopolítica no Ártico, tornou-se um ponto focal nas relações internacionais, com seu premiê alertando para a necessidade de preparação enquanto o mundo observa as próximas movimentações de Trump e da comunidade global.