Fim do tratado nuclear New START entre Rússia e EUA: cenário global em transformação
O Kremlin anunciou nesta sexta-feira, 6 de junho, que a Rússia e os Estados Unidos concordam em "agir de forma responsável" após o término do tratado New START. Este acordo, que impunha limites rigorosos às armas e ogivas nucleares das duas maiores potências nucleares do mundo, chegou ao fim, gerando incertezas e debates sobre o futuro da segurança global.
Importância do New START e seu legado
O tratado New START era fundamental porque estabelecia limites precisos para o número de ogivas nucleares estratégicas que os EUA e a Rússia poderiam manter em seus arsenais, prontas para uso. Além disso, impunha regras à implantação de mísseis balísticos intercontinentais e outros armamentos capazes de disparar ogivas nucleares. Assinado em 2010 e prorrogado até fevereiro de 2026, ele representava o último acordo nuclear em vigor entre as duas nações, servindo como um pilar de estabilidade em um cenário geopolítico tenso.
Declarações oficiais e posicionamentos
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que há um entendimento mútuo com os Estados Unidos para que ambos os lados ajam de maneira responsável. Ele destacou que Rússia e EUA reconhecem a necessidade de iniciar negociações sobre armas nucleares em breve, indicando um possível caminho para um novo acordo. Enquanto isso, o governo russo expressou lamento pelo fim do tratado, com o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dimitri Medvedev, usando a frase "o inverno está chegando" em uma provocação aos Estados Unidos.
Críticas de Trump e perspectivas de um novo tratado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou fortemente o New START em suas redes sociais, alegando que o acordo foi "mal negociado" e violado repetidamente. Ele sugeriu a criação de um novo tratado, aprimorado e modernizado, que possa durar por muito tempo no futuro. Trump também afirmou ter evitado guerras nucleares em diferentes partes do mundo, reforçando sua postura de revisão dos acordos internacionais.
Negociações em andamento e inclusão da China
Relatórios indicam que EUA e Rússia estão negociando um prolongamento do tratado nuclear, com conversas avançadas na quarta-feira, 4 de junho, embora ainda sem consenso. Uma autoridade da Casa Branca mencionou que "haverá notícias" sobre o New START, sugerindo que um novo acordo pode incluir a China, o que ampliaria o escopo das discussões para uma arena global mais ampla. No entanto, detalhes específicos e prazos para anúncios permanecem indefinidos.
O que era o New START e seus termos
O New START, assinado em 2010 por Dimitri Medvedev e Barack Obama, entrou em vigor em 2011 e foi estendido em 2021. Seus principais termos incluíam:
- Limite de 1.550 ogivas nucleares estratégicas para cada país.
- Restrição a 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance.
- Previsão de até 18 inspeções anuais mútuas em locais estratégicos, suspensas desde março de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
As negociações para retomar as inspeções, previstas para novembro de 2022 no Egito, foram adiadas pela Rússia, sem nova data definida, contribuindo para a deterioração do acordo.
Implicações para o cenário internacional
O fim do New START coloca o mundo em um momento crítico, com analistas alertando para riscos de uma corrida nuclear e proliferação de ogivas. A necessidade de um novo tratado é urgente, mas as complexidades das relações bilaterais e a possível inclusão da China nas negociações adicionam camadas de desafio. Enquanto isso, a ONU já classificou a situação como "grave", enfatizando a importância de ações responsáveis para manter a paz global.