EUA e Irã iniciam negociações nucleares em Omã sob ameaças de Trump e tensões regionais
EUA e Irã negociam acordo nuclear em Omã sob ameaças de Trump (06.02.2026)

EUA e Irã iniciam negociações nucleares em Omã sob clima de tensão e ameaças mútuas

Em um cenário marcado por crescentes tensões e ameaças recíprocas, Estados Unidos e Irã deram início nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a negociações em Omã sobre um possível acordo de não proliferação de armas nucleares. O encontro diplomático, realizado na capital Mascate, representa o primeiro diálogo direto entre Washington e Teerã desde que os americanos se aliaram a Israel durante uma guerra aérea de 12 dias em junho do ano passado.

Contexto de ameaças e posições firmes

A reunião acontece após uma série de declarações agressivas do presidente norte-americano Donald Trump, que alertou sobre a possibilidade de um ataque à República Islâmica caso um tratado satisfatório não seja alcançado. Minutos antes do início das conversas, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, deixou claro ao seu homólogo de Omã, Badr al Busaidi, que Teerã está "disposta a defender a soberania e a segurança nacional do país" diante de qualquer exigência considerada excessiva por parte dos Estados Unidos.

"A República Islâmica utiliza a diplomacia para defender os interesses nacionais", afirmou Araghchi, que lidera a delegação iraniana. Do lado americano, a Casa Branca havia afirmado na véspera que Trump prefere resolver as questões por vias diplomáticas, mas possui "muitas outras opções à sua disposição", conforme declarou a porta-voz Karoline Leavitt.

Principais pontos de discórdia e linhas vermelhas

As negociações enfrentam obstáculos significativos, com destaque para o programa de mísseis iraniano, que se tornou um grande ponto de discórdia. Enquanto Teerã sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins puramente energéticos, Washington, juntamente com Israel e países europeus, acusa o país de tentar desenvolver uma bomba atômica.

Os Estados Unidos desejam incluir na pauta questões como o desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos, mas o governo iraniano já alertou que não fará concessões nessa área, considerando-a uma linha vermelha intransponível. É precisamente com essas armas que o Irã ameaçou retaliar em caso de um ataque norte-americano.

Delegações e posicionamentos estratégicos

A delegação americana é representada por Steve Witkoff, principal enviado de Trump para assuntos externos, e Jared Kushner, genro do presidente. Trump não detalhou publicamente seus objetivos específicos para um possível acordo, mas sabe-se que as exigências anteriores de seu governo incluíam:

  • Proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã
  • Restrições a mísseis balísticos de longo alcance
  • Fim do apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio

Teerã já indicou que considera todas essas três exigências como violações inaceitáveis de sua soberania, sendo os mísseis o maior obstáculo nas negociações.

Escalada militar e apoio internacional

Nas últimas semanas, as tensões na região aumentaram consideravelmente. Trump despachou uma "enorme armada" ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertou que "coisas ruins" aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado. Na terça-feira anterior, o Comando Central das Forças Armadas americanas acusou navios da Guarda Revolucionária Islâmica de importunarem um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no estratégico Estreito de Ormuz.

Neste mesmo dia de negociações, a China emitiu um comunicado em apoio ao Irã, condenando o que chamou de "intimidação unilateral" e defendendo os direitos legítimos da nação persa.

Cenário interno iraniano e preocupações regionais

A crise entre os dois países se intensificou ao longo do último ano, especialmente diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano. As manifestações, inicialmente motivadas pela desvalorização da moeda local e pela crise inflacionária, cresceram para incluir demandas por mudanças políticas mais profundas.

No auge dos protestos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes, embora as tensões tenham diminuído após as autoridades iranianas desistirem de execuções planejadas. A liderança do Irã demonstra crescente preocupação com a possibilidade de que um ataque americano possa quebrar seu controle do poder, levando uma população já insatisfeita de volta às ruas.

Em Omã, a prioridade imediata para ambas as partes parece ser evitar conflitos diretos e reduzir a tensão regional, enquanto buscam um terreno comum nas complexas negociações nucleares que podem definir o futuro da segurança no Oriente Médio.